Caso Flordelis: jurados negam alegação de abuso sexual como forma de diminuir pena de filho que matou pastor

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A sentença de condenação dos filhos da pastora Flordelis dos Santos destaca que a morte do pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, tem evidências de um crime frio, repugnante e que caracteriza uma demonstração explícita de ódio. Flávio dos Santos Rodrigues recebeu uma pena de 33 anos e 6 meses de reclusão, enquanto Lucas Cézar dos Santos foi condenado a 7 anos e seis meses de prisão. Os jurados negaram a alegação de abuso sexual a crianças da família, apontada por Flávio como motivação para o crime, como forma de diminuir a pena de executor.

Flávio foi condenado pelo homicídio triplamente qualificado a 25 anos e oito meses de reclusão, sem contar os outros crimes a que ele foi sentenciado. Se o pedido de diminuição decorrente de "relevante valor moral" solicitado pela defesa de Flávio fosse acatado pelos jurados, a pena poderia ser reduzida de um sexto a um terço de acordo com o Código Penal. Durante o julgamento, testemunhas negaram os relatos de abuso na família, diferentemente das alegações de Flávio.

Já na decisão sobre Lucas, foi aceita a colaboração nas investigações, o que reduziu a pena pela metade.

Na decisão, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, responsável pelo processo desde o seu início, aponta que as consequências do delito foram desastrosas, "diante dos inquestionáveis danos psicológicos causados a toda a numerosíssima família, integrada também por menores de idade. A magistrada ressalta uma "quebra" na família, que ficou "desestruturada" após a "empreitada criminosa". Segundo a juíza, o crime afastou a família e causou mudança de residência de alguns.

"Os danos psicológicos em especial para genitores da vítima (Anderson do Carmo) se mostraram ainda mais devastadores, posto que esta foi retirada do seio familiar precoce e brutalmente, em evidente inversão da ordem natural dos fatos, acirrando ainda mais o sofrimento de ambos, diante da brutal morte arquitetada; tornando ainda mais gravosa a conduta do acusado", ressalta o texto.

No texto, é apontado ainda o vínculo familiar entre Flávio e Anderson, o que, na visão da júiza, é "repugnante". "Cresceram juntos desde a adolescência, vindo a vítima, inclusive, a se tornar seu padrasto há anos, primando e dedicando-se às carreiras da genitora do acusado em diversos âmbitos, e contribuindo sobremaneira para sustento da extensa família".

A decisão cita ainda as 30 perfurações constatadas no corpo do pastor Anderson como uma demonstração de ódio. "A ação criminosa evidencia, portanto, verdadeira e bárbara execução, caracterizando uma demonstração explícita de ódio". A juíza aponta que Anderson foi morto em horário de repouso noturno e no imóvel de moradia de outros inúmeros filhos, em Pendotiba, Niterói, o que, para a juíza, evidencia ainda mais a frieza e menosprezo pela vida humana".

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