Caso Flordelis: Perito de defesa que atuou em julgamento de Jairinho e Matsunaga aponta supostos erros em laudos da morte de pastor

Em seu depoimento, o perito Sami Abder, testemunha de defesa, afirma ter encontrado erro em ao menos três laudos de acusação, como o da necrópsia do pastor Anderson do Carmo e o que aponta ser possível que ele tenha sido envenenado. No documento que mostra os ferimentos e causa da morte do pastor, ele afirma ter encontrado ao menos sete erros no mapa em que aponta as perfurações no corpo. O documento do Instituto Médico Legal aponta 30 perfurações no corpo. O perito diz ter encontrado 24 ferimentos nas fotografias do corpo, mas que não condiz com o número total de tiros, pois há ferimentos de entradas e saídas.

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— Há duas lesões que encontramos no mapa de ferimentos que não existem nas fotografias. Uma é a ferida 6, que seria entre o peito direito e a axila. No ponto 9, próximo à clavícula do lado esquerdo também não há ferimentos. Há um outro que encontramos e que não está descrito no mapa. Pode ser um engano na descrição anatômica? O fato é que não corresponde — afirmou o perito.

Abder também atuou como assistente técnico da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, no Caso Henry, e de Elize Matsunaga.

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Durante o depoimento, fotos do cadáver de Anderson do Carmo foram exibidas ao júri, com o pedido de que não fosse mostrado o rosto do pastor. Flordelis, que saiu durante o depoimento de Siro Darlan ainda não retornou ao plenário, mas André Luiz Oliveira — também réu no processo — começou a chorar ao ver as fotos. Ele, Simone Rodrigues e Rayane (neta de Flordelis) deixaram o plenário no intervalo do depoimento. Apenas a filha adotiva Marzy Teixeira acompanha a declaração do perito.

O perito também afirmou que, ao analisar os prontuários médicos de Anderson do Carmo, dos anos anteriores do crime, não há indícios de que ele tenha sofrido envenenamento. Flordelis e os outros réus são acusados de tentar matar o pastor antes do crime com substâncias tóxicas. Filhos afetivos de Flordelis disseram nos primeiros dias de julgamento que flagraram Simone Rodrigues, filha biológica da ex-deputada, colocar substâncias no suco e na comida da vítima.

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— Ele fez diversos exames que se mostraram consistentemente dentro da normalidade. Pequenas variações não necessariamente apresentam problema. Consideradas as hipóteses levantadas no parecer e no laudo que consta no prontuário, os médicos não suspeitaram de intoxicação porque não tinham nenhum motivo para isso — diz.

Dois laudos — um do Ministério Público e outro da Polícia Civil — atestaram que possivelmente Anderson do Carmo estava sendo envenenado. Os peritos oficiais analisaram os boletins de atendimento médico do pastor — que foi atendido em uma emergência médica seis vezes em um período de cinco meses — e dados da investigação. O corpo da vítima não chegou a passar por exumação. Os investigadores concluíram que, antes de matar a vítima, membros da família tentavam matá-lo envenenado.