Caso Flordelis: relembre quem são os acusados de envolvimento no plano para matar o pastor Anderson

A investigação da Polícia Civil revelou que a morte do pastor Anderson do Carmo foi planejada e executada dentro da família da pastora e ex-deputada Flordelis dos Santos de Souza, que vai a julgamento nesta segunda-feira acusada de ser a mandante do crime, ocorrido em junho de 2019. Outras oito pessoas da família foram parar no banco dos réus: uma neta e sete filhos, quatro já julgados, sendo dois condenados pelo assassinato.

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Na sessão desta segunda-feira, além de Flordelis, serão julgados três de seus filhos — Simone dos Santos Rodrigues, Marzy Teixeira e André Luiz de Oliveira — e uma neta, Rayane dos Santos. Todos são acusados de envolvimento na execução de Anderson. O plano envolveu ainda pessoas fora da família: um ex-policial militar e a mulher dele.

Anderson do Carmo foi assassinado a tiros na madrugada de 16 de junho de 2019, na garagem da casa da família em Pendotiba, Niterói. As investigações demonstraram que, antes mesmo da execução, o grupo já vinha tentando matar a vítima por envenenamento. A motivação do crime, segundo as autoridades, foi o controle que a vítima fazia das finanças e a administração rigorosa da casa, o que desagradava Flordelis e outros integrantes da família. Veja, abaixo, quem são os acusados de participação nessa trama.

1 – Flordelis dos Santos de Souza

Pastora e ex-deputada federal, Flordelis, de 61 anos, é acusada de ser a mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, com quem era casada desde abril de 1998. De acordo com a denúncia, Flordelis "arquitetou toda a empreitada criminosa, arregimentou, incentivou e convenceu" os filhos e neta envolvidos no crime, simulando tratar-se de um latrocínio (roubo com resultado morte). Flordelis está presa desde 13 de agosto de 2021, dois dias após ter perdido o cargo na Câmara dos Deputados.

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A ex-parlamentar é acusada também de ter financiado a arma usada no crime, além de ter, segundo as investigações, feito com que chegasse a Flávio a informação de que Anderson estava chegando em casa na madrugada do crime. Na delegacia, Flávio relatou a alguns irmãos que foi avisado por Marzy, uma de suas irmãs, sobre a chegada de Anderson. Flordelis enviou para essa filha afetiva uma mensagem às 3h02 do dia 16 de junho pedindo para ser acordada no dia seguinte. Para os investigadores, era apenas um código, uma vez que Marzy sequer estava em casa. Flordelis e Anderson chegaram às 3h25.

2 – Simone dos Santos Rodrigues

Filha biológica de Flordelis com o primeiro marido, o pastor Paulo Rodrigues Xavier, é considerada a fiel escudeira da mãe. Até o crime, Simone morava com quatro de seus cinco filhos na casa, com todas as despesas custeadas por Flordelis e Anderson. Há relatos de que Simone e seus filhos eram as pessoas com mais privilégios na residência.

Simone, presa desde 24 de agosto de 2020, é acusada de ter prestado auxílio a Flordelis no plano para matar Anderson, ajudando a convencer o irmão biológico, Flávio, a cometer o crime. Ela também responde pelas tentativas de envenenamento contra a vítima e de integrar a associação criminosa comandada pela mãe. Depois do crime, uma revelação veio à tona: a filha biológica de Flordelis tinha namorado o padrasto antes de ele começar a se relacionar com a mãe.

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Em 22 de janeiro do ano passado, Simone admitiu, pela primeira vez, ter planejado a morte de Anderson do Carmo. Segundo ela, tudo ocorreu sem que sua mãe soubesse. Ela afirmou, primeiro, ter cometido o crime devido às investidas sexuais da vítima e, depois, por ter sofrido abusos sexuais. As declarações na tentativa de inocentar Flordelis foram repetidas por Simone no fim de abril de 2021 ao Conselho de Ética na Câmara. Apesar da confissão, Flordelis continua sendo considerada mentora do crime pelo Ministério Público e pela Justiça.

Simone foi casada com um irmão afetivo, André Luiz de Oliveira, que chegou à casa de Flordelis quando a deputada ainda morava no Jacarezinho. O casal, que começou a se relacionar no início dos anos 1990, registrou como filha, em 1993, a primeira criança acolhida por Flordelis, Rayane dos Santos, que a deputada diz ter tirado de um lixão. André e Rayane também estão presos, acusados de envolvimento no plano para matar Anderson.

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3 – Marzy Teixeira da Silva

Filha afetiva de Flordelis e Anderson, foi morar na casa da família em 2007, quando frequentava o Ministério Flordelis. Segundo Marzy, o convite para fazer parte da família partiu de Anderson do Carmo. Ela tinha adoração por Flordelis e, em sua lista de contatos, a ex-deputada estava salva como "minha rainha". De acordo com testemunhas, Marzy seria capaz de qualquer coisa para agradar Flordelis e ter seu amor.

A própria Marzy admitiu à polícia ter tentado cooptar o irmão, Lucas Cézar dos Santos, para matar o pastor Anderson do Carmo, mas o rapaz se negou a cometer o crime. A investigação aponta que ela agiu a mando de Flordelis, o que a filha afetiva da ex-deputada nega. Para os investigadores, Marzy auxiliou Flordelis no plano para assassinar a vítima, além de ter tentado matar o pastor por envenenamento. Ela ainda é acusada de fazer parte da associação criminosa comandada por Flordelis.

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Testemunha do caso, Luana Vedovi Pimenta, esposa de Wagner Andrade Pimenta, o Misael, revelou que Marzy lhe confidenciou que iria presa, mas jamais entregaria Flordelis. Ela tinha um relacionamento conturbado com pastor Anderson do Carmo, já que foi acusada de cometer furtos na casa e chegou a confessar um deles.

Ela foi punida pelo pastor, que a retirou das funções da igreja e chegou a vetar a sua participação em eventos da família. Anderson costumava reclamar da postura de Marzy inclusive na frente de pessoas de fora da família, despertando o ódio da filha afetiva. Atualmente, os advogados de Flordelis também defendem Marzy, atrás das grades desde agosto de 2020.

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4 – Rayane dos Santos Oliveira

Primeira criança acolhida por Flordelis, ainda no início dos anos 1990, Rayane era considerada o xodó de Anderson do Carmo e constantemente tinha sua história contada em pregações da vítima. Rayane foi registrada como filha por Simone, filha biológica de Flordelis, e por André Luiz, por quem ela foi criada. A jovem nunca passou por um processo de adoção formal.

A neta era muito próxima de Flordelis e Anderson. Após a eleição da avó, se mudou para Brasília com o marido, que ganhou um cargo no gabinete da parlamentar. O casal vivia no apartamento funcional da pastora na capital federal, onde Rayane foi presa, em agosto de 2020.

Rayane é acusada de também ter tentado cooptar Lucas Cézar dos Santos, seu tio, para matar Anderson após o rapaz ter recusado a proposta da irmã Marzy. Ela ainda é acusada de ter pedido contato de um criminoso para outra tia, Érica dos Santos.

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A filha de Simone é também acusada de ter sido a responsável por contratar um matador de aluguel que chegou a ir até a porta da igreja para matar Anderson, mas o plano precisou ser abortado. Rayane responde por homicídio triplamente qualificado, por ter participado do plano para executar a vítima, e associação criminosa. A jovem também é defendida pelos mesmos advogados de Flordelis.

5 – Flávio dos Santos Rodrigues

Filho biológico de Flordelis com o primeiro marido, Paulo Rodrigues Xavier , Flávio tinha grande proximidade com a mãe, mas não com o padrasto. Foi preso no dia seguinte à morte de Anderson por causa de um mandado de prisão do Juizado de Violência Doméstica. Por ter descumprido uma medida protetiva que o proibia de manter contato com a ex-mulher, teve a prisão decretada e estava foragido. A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, ao investigar a morte do pastor, descobriu o mandado contra Flávio, que foi capturado no enterro do padrasto.

Dois dias após sua prisão, ele admitiu em depoimento ter matado Anderson. A confissão aconteceu depois de os policiais terem encontrado a arma do crime em seu quarto, na casa de Flordelis. Flávio afirmou ter ficado com raiva de Anderson após saber que ele tinha abusado de uma de suas sobrinhas. Logo após a confissão, a defesa do filho de Flordelis passou a afirmar que o rapaz tinha sido torturado para fazer a revelação.

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Durante o primeiro julgamento do caso, em novembro do ano passado, Flávio foi condenado a 33 anos e dois meses de prisão por ser o executor do pastor Anderson do Carmo. Ele ainda respondeu por porte de arma de fogo de uso restrito e associação criminosa. A pena acabou reduzida pelo Tribunal de Justiça do Rio para 29 anos e três meses de prisão. No mesmo júri, foi condenado Lucas Cézar dos Santos Rodrigues, filho adotivo de Flordelis e Anderson.

6 – Lucas Cézar dos Santos de Souza

É filho adotivo de Flordelis e Anderson e chegou à casa da família quando tinha 12 anos. Lucas foi adotado com seus quatro irmãos biológicos, que moravam com uma tia em Itaboraí após a morte da mãe.

Quando ainda era adolescente, Lucas se envolveu com o tráfico de drogas e saiu da casa da família em Pendotiba, passando a morar sozinho. A partir de então, começaram os atritos com Anderson, que não aceitava seu envolvimento com a venda de drogas.

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Lucas foi capturado em flagrante pela Polícia Civil em março de 2019, três meses antes do assassinato do pai. Liberado para responder em liberdade, deixou de se apresentar à Justiça, que decretou sua busca e apreensão. Dessa forma, passou a ser considerado foragido.

O rapaz foi preso horas após a morte do pastor Anderson por causa do mandado de busca e apreensão que havia contra ele. Lucas tinha completado 18 anos na semana anterior ao crime. Na delegacia, foi ele quem começou a dar aos investigadores informações de que Flávio poderia estar envolvido no assassinato do pai.

Lucas afirma que Marzy e Rayane tentaram convencê-lo a matar Anderson do Carmo, mas ele diz que não aceitou as propostas. O rapaz foi condenado por envolvimento no crime, por ter ajudado o irmão Flávio na compra da pistola utilizada para matar a vítima. Ele admite ter auxiliado o irmão na aquisição da arma, mas mudou de versão sobre saber ou não que ela seria usada para matar o pastor. O filho de Flordelis foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por participação no crime, mas o Tirbunal de Justiça aumentou a pena para nove anos.

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7 – André Luiz de Oliveira

Faz parte do primeiro grupo de adolescentes que chegaram à casa de Flordelis, ainda na favela do Jacarezinho. André chegou como filho afetivo da ex-deputada e acabou se casando com Simone, filha biológica da pastora.

André continuava morando na casa da família em Pendotiba, mesmo após ter se separado de Simone. Segundo familiares, ele auxiliava Misael na gestão das finanças do Ministério Flordelis. Ele também foi nomeado secretário parlamentar no gabinete de Flordelis quando a pastora se tornou deputada federal.

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As trocas de mensagens no WhatsApp entre Flordelis e André são, para os investigadores, as provas mais contundentes da participação da ex-deputada na morte do marido. Nos diálogos, de acordo com as investigações, Flordelis deixa claro a existência do plano para envenenar a vítima e matá-la.

André é acusado de envolvimento no homicídio de Anderson e nas tentativas de envenenamento. Ele responde por tentativa de homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e com emprego de veneno), homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido) e associação criminosa.

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8 - Carlos Ubiraci Francisco de Oliveira

Junto com André, faz parte do primeiro grupo de adolescentes da favela do Jacarezinho. Ex-usuário de drogas, Carlos costuma relatar que foi salvo do vício por Flordelis e Anderson do Carmo. Mais velho do que Anderson, ele não tinha relação de pai e filho com o pastor e via a vítima apenas como uma liderança na casa.

Na família, Carlos tinha papel fundamental nos cuidados às crianças. Era ele quem levava todos à escola, ao médico e para tomar vacinas, por exemplo. Carlos casou com uma filha afetiva de Flordelis, Cristiana, que também chegou à casa da pastora na época do Jacarezinho.

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Carlos Ubiraci é pastor e era responsável por uma das filiais das igrejas de Flordelis, a de Piratininga. Ele também foi nomeado secretário parlamentar no gabinete da mãe quando a pastora se tornou deputada federal.

Carlos era bem próximo a Flordelis, com quem tinha relação de mãe e filho. Em um de seus depoimentos, ele afirmou à polícia não acreditar no envolvimento da ex-deputada no crime, mas ressaltou que se ela estivesse, "não viraria as costas nem deixaria de estar do lado dela, pois é sua mãe e ela o ajudou muito". Uma das filhas de Carlos, em seu depoimento à Justiça, afirmou que a postura dele em relação à Flordelis era de submissão e dependência à ex-deputada.

Em abril deste ano, Carlos foi condenado a 2 anos, 2 meses e 20 dias de prisão apenas por associação criminosa armada. Ele foi absolvido das acusações de envolvimento no assassinato de Anderson e em tentativas anteriores de matar a vítima. Carlos foi solto no mês seguinte ao julgamento após conseguir liberdade condicional.

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9 – Adriano dos Santos Rodrigues

É o filho biológico caçula de Flordelis, também fruto do casamento com Paulo Xavier. Era muito próximo à mãe, a quem tentava sempre proteger nas aparições públicas após a morte do pastor Anderson. Adriano também era considerado um dos filhos mais próximos à vítima.

O rapaz é acusado de envolvimento em uma trama na qual foi escrita uma carta, em setembro de 2019, mudando a versão dada até então para o crime. Adriano é acusado de ter sido o responsável por pegar a correspondência e levá-la até a ex-deputada.

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A carta foi escrita por Lucas Cézar dos Santos, filho adotivo de Flordelis que já foi condenado por ter ajudado o irmão Flávio dos Santos Rodrigues na compra da arma usada para matar Anderson do Carmo. Flávio também já foi condenado por ter sido o autor dos disparos contra a vítima.

Na carta, Lucas assumiu a responsabilidade pela morte do pastor e isentou Flávio de participação no assassinato, apesar de o irmão ter confessado na delegacia ter sido o executor da vítima. Na carta, Lucas acusou dois outros irmãos — Wagner Andrade Pimenta, o Misael, e Alexander Felipe Matos Mendes, o Luan — de envolvimento na morte de Anderson. Tanto Misael quanto Luan acusaram Flordelis de envolvimento no crime.

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Em 1º de novembro de 2019, durante audiência do caso, Lucas acabou revelando que a carta era uma farsa. Ele acusou sua mãe de ser a responsável por escrever o documento, e afirmou que apenas copiou o texto dentro do Presídio Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, onde estava preso junto com Flávio. Lucas afirma que reconheceu a letra de Flordelis no texto original e alega que também estava assinado pela mãe. Ele foi condenado a 4 anos, 6 meses e 20 dias pelos crimes de uso de documento falso e associação criminosa armada. Adriano foi solto em maio deste ano.

10 – Marcos Siqueira

Ex-policial militar, foi condenado a 480 anos e seis meses de prisão por ter participado de uma chacina na Baixada Fluminense que deixou 29 mortos. Ele está preso desde 2005. Siqueira estava no presídio Bandeira Stampa, o mesmo onde encontravam-se os filhos de Flordelis.

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De acordo com as investigações, o ex-policial militar participou do plano da confecção da carta para atrapalhar as investigações do caso. Ele é acusado de pressionar Lucas para que ele copiasse o texto da correspondência e de auxiliar Flávio e Flordelis na escolha das informações falsas que foram inseridas no documento. Marcos foi condenado a 5 anos e 20 dias por uso de documento falso e associação criminosa armada.

11 - Andrea dos Santos Maia

A Polícia Civil e o Ministério Público apontam que a esposa de Marcos, Andrea dos Santos Maia, foi a responsável por entrar no presídio com a carta que deveria ser copiada por Lucas e de sair da unidade com a correspondência escrita pelo rapaz. Adriano foi quem buscou a carta com Andrea e levou até Flordelis. "Sua vitória está nas mãos do Adriano. Seu filho mandou", escreveu Andrea para Flordelis no dia 15 de setembro de 2019.

As trocas de mensagens entre Andrea e Flordelis levaram a polícia a acusar a ex-deputada de ter armado para manipular as investigações. As conversas foram encontradas no celular da pastora, apreendido pela polícia em 17 de setembro de 2019. Nas mensagens, Flordelis e Andrea tratavam detalhes sobre a confecção da carta.

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"Mas agora na hora que pegar essas provas é o advogado fazer o papel dele muito bem feito porque eles vão fazer de tudo para não dar importância, né. Então a gente tem que movimentar todas as estratégias certas para desbancar. Porque tu vai destruir a carreira dessa delegada da DH. Você sabe, né?”, afirmou Andrea para Flordelis em um dos áudios, referindo-se à delegada Bárbara Lomba, que conduzia as investigações do caso.

Andrea alegou que seu contato com Flordelis ocorreu apenas para ajudar a ex-deputada a prestar auxílio aos filhos na prisão. A mulher do ex-PM fazia parte de um grupo que ajuda familiares dos presos a levarem itens como comida, itens de higiene e roupas. Ela recebeu pena de 4 anos, 3 meses e 10 dias após ser condenada por uso de documento falso e associação criminosa armada.