Caso Floyd: Empresas se posicionam após condenação de Chauvin por assassinato

Extra, com agências internacionais
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Do Facebook à GM, passando por Target e Microsoft, executivos de grandes empresas americanas se posicionaram nas redes sociais após a condenação do ex-policial Derek Chauvin pela morte George Floyd. Após o assassinato, muitas empresas – que até então não se posicionavam diretamente a respeito da questão racial – vieram a público apoiar o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português).

A morte de George Floyd no ano passado deu início ao movimento Black Lives Matter, considerado um divisor de águas por especialistas na luta contra o racismo. Apesar da adesão, muito criticam que ainda há uma grande lacuna entre os discursos das empresas em suas redes sociais e as mudanças de fato nas empresas.

De acordo com USA Today, apesar dos pedidos de investidores para diversificar mais os conselhos de administração, quase dois terços das 3.000 maiores empresas de capital aberto dos EUA não têm um membro do conselho negro.

Tim Cook, o todo-poderoso da Apple, considerou o veredicto justo, mas, em seu twitter, postou que ele é insuficiente para um problema maior social: “A Justiça para os negros não fluirá na sociedade apenas com decisões judiciais nem de discursos políticos... Esta Justiça não pode ser alcançada sem mudanças radicais na estrutura da sociedade.

O CEO da varejista Target, Brian Cornell, disse em um memorando para os funcionários, segundo o Yahoo Finance, que a condenação de Chauvin é um sinal de progresso: "O assassinato de George Floyd no último Memorial Day pareceu um ponto de virada para nosso país". No início do mês, a empresa anunciou um plano de investir US$ 2 bilhões em negócios de empresários negros, até 2025.

Já Mark Zuckerberg, à frente do Facebook, não deixou claro o que pretende fazer, mas postou na sua rede social apoio à família: “No momento, estou pensando em George Floyd, sua família e aqueles que o conheceram. Espero que este veredicto traga algum conforto para eles e para todos que não conseguem evitar de se ver em sua história. Estamos solidários com você, sabendo que isso faz parte de uma luta maior contra o racismo e a injustiça”.

A companhia de serviços financeiros Wells Fargo, por sua vez, foi mais incisiva na sua posição pública. No Twitter, eles disseram que esperam que a decisão judicial seja o primeiro passo para a mudança.

A empresa se comprometeu a promover uma cultura que apoia a diversidade, igualdade e inclusão dentro e fora: “À medida que avançamos, estamos trabalhando para criar mudanças significativas e continuaremos apoiando nossos funcionários, parceiros e investindo em nossas comunidades porque é nossa responsabilidade como cidadão corporativo e a coisa certa a se fazer”.

Algumas foram mais genéricas em seus comentários, como a Starbucks, que no Twitter escreveu que ainda há muito trabalho a ser feito contra o racismo sistêmico, mas que o veredicto foi “um passo para frente”.

A Microsoft também foi sucinta e afirmou que o veredicto é importante, mas não o suficiente. O presidente da gigante de tecnologia, Brad Smith disse, em nota, que a companhia continua comprometida em ajudar a acabar com o racismo e a lutar contra a discriminação.

A CEO da General Motors, Mary Barra, por sua vez, disse em sua página no LinkedIn que é importante apoiar a mudança na sociedade. “Embora o veredicto de culpado no julgamento que busca justiça para George Floyd seja um passo na luta contra o preconceito e a injustiça, devemos permanecer determinados a promover mudanças significativas e deliberadas em ampla escala”.

Nas redes sociais, várias pessoas interagiram com os posicionamentos das empresas. Alguns perguntaram o que as empresas estão fazendo, como um seguidor de Tim Cook que questionou não ter visto negros em apresentações de produtos da Apple. Já outros apoiaram a iniciativa e a postura aberta das companhias.

No caso da presidente da General Motors, uma das poucas mulheres em posição de comando, alguns seguidores sugeriram que ela não misturasse negócios e política.