Caso Gabriel Monteiro: polícia fará busca por escutas em gabinetes de vereadores

O vereador carioca Gabriel Monteiro é investigado por filmar sexo com adolescente e acariciar criança. (Foto: Reprodução)
O vereador carioca Gabriel Monteiro é investigado por filmar sexo com adolescente e acariciar criança. (Foto: Reprodução)
  • Pedido de varredura foi feito pelo próprios parlamentares que investigam caso

  • Gabriel Monteiro é alvo do Conselho de Ética

  • Investigadores já sofreram ameaças

A Polícia Civil realizará uma varredura nos gabinetes de vereadores do Rio de Janeiro que integram a comissão do Conselho de Ética, que investiga a conduta do vereador Gabriel Monteiro (PL), suspeito de ter relações sexuais com uma adolescente em vídeo. A operação, que ocorre na próxima segunda-feira (13), foi marcada a pedido dos próprios parlamentares.

Os vereadores suspeitam que possam estar sendo espionados pelo investigado. O grupo entrou com um pedido de reforço em sua segurança, incluindo o fornecimento de carros blindados, e varreduras nos gabinetes e celulares pessoais.

A desconfiança aumentou quando o ex-assessor Vinicius Hayden afirmou em depoimento que Monteiro havia pedido que ele investigasse seus colegas. Hayden faleceu em um acidente de trânsito em Teresópolis em 28 de maio.

“O Vinicius disse, no depoimento, que o Gabriel tinha lhe dado a tarefa de fazer um dossiê sobre cada um dos vereadores, buscar falcatruas e quaisquer outras coisas. Segundo ele, o Gabriel Monteiro queria com isso mostrar ser o único honesto. Mas ele se recusou e não sabe se a missão foi cumprida depois”, disse o relator do processo, o vereador Chico Alencar (PSOL), ao jornal Extra.

A mesma denúncia foi feita por outro ex-assessor de Monteiro, Heitor Nazaré Neto, no dia 25 de maio.

Ameaças

Chico Alencar (PSOL), o relator do processo, afirma já ter recebido mais de 300 ameaças via redes sociais. “Ontem [9] houve mais ofensas, mas menos do que nos dias anteriores, talvez por conta da nossa denúncia. Dessa vez foram apenas xingamentos, mas já recebi ameaças concretas como ‘estamos de olho’ e ‘sabemos da sua família’. Não cheguei a ficar com medo. Me sinto privilegiado por Deus, meus anjos da guarda são muitos. Pelo meu jeito de ser, nunca despertei a ira de ninguém, nem dos meus adversários políticos. Mas estou tendo cautela, cuidado”, declarou.

Ainda segundo o vereador, ele não é o único membro do conselho a receber ameaças. As denúncias são feitas à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

Conselho de Ética adia processo de cassação

O processo de cassação de Gabriel Monteiro deverá começar em agosto, após decisão desta quinta-feira (9) do Conselho de Ética, para que se tenha tempo de terminar as oitivas de quatro testemunhas de defesa.

Na mesma sessão, os parlamentares ouviram o depoimento de duas testemunhas de defesa de Monteiro. A primeira foi o perito criminal Leandro Lima, contratado pela defesa para, junto com um psicólogo, analisarem o vídeo em que o vereador aparece acariciando o pescoço de uma criança em um salão de beleza. No entanto, a análise feita foi de um vídeo diferente do que está nos autos. A segunda testemunha foi o policial militar Bruno Assunção, que realiza a escolta de Monteiro.