Caso Genivaldo: PF pede mais 30 dias para concluir investigação

Caso Genivaldo: homem negro morreu asfixiado após agentes da PRF transformarem viatura em 'câmara de gás'. Foto: Reprodução
Caso Genivaldo: homem negro morreu asfixiado após agentes da PRF transformarem viatura em 'câmara de gás'. Foto: Reprodução
  • Investigadores aguardam laudo pericial

  • Caso aconteceu em maio e nenhum agente foi preso

  • PF já ouviu cerca de 30 depoimentos

A investigação sobre a morte de Genivaldo de Jesus do Santos deverá durar ainda mais 30 dias, após a Polícia Federal de Sergipe pedir mais prazo ao Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (21). Genivaldo morreu no dia 25 de maio, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal, na qual agentes o prenderam no porta-malas da viatura e encheram o veículo com gás lacrimogêneo e gás de pimenta.

Segundo os investigadores, é preciso mais tempo para "a apresentação de laudos periciais requisitados", que são "indispensáveis para a finalização do procedimento investigatório". Os laudos em questão são as perícias do Instituto Médico Legal em Sergipe do Instituto de Criminalística da Diretoria Técnico-Científica da PF.

Cerca de 30 pessoas já foram ouvidas pela PF, incluindo familiares da vítima, testemunhas do momento da abordagem e os agentes envolvidos. Os policiais disseram que a morte foi uma "fatalidade desvinculada da ação policial legítima" e que foi usado "legitimamente o uso diferenciado da força".

Peritos do Instituto Nacional de Criminalística da PF foram até o interior de Sergipe já realizaram uma análise da viatura da PRF onde Genivaldo foi torturado. Também foram realizadas captações de imagens em um trecho da BR-101 em Umbaúba para captação de imagens aéreas e terrestres.

A PRF abriu um processo disciplinar para apurar a conduta dos policiais, que é acompanhado pelo Ministério Público Federal.

Recentemente, a Justiça Federal em Sergipe negou o pedido de prisão dos policiais envolvidos na morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, na cidade de Umbaúba, em 25 de maio. Segundo informações do portal g1, o pedido havia sido feito pela família da vítima.

Na decisão, revelada pelo g1, a Justiça afirma que apenas autoridade policial e Ministério Público Federal podem solicitar a prisão preventiva dos agentes investigados.

A família fez o pedido sob o argumento de que houve fraude processual, porque as imagens da abordagem não correspondem ao boletim de ocorrência registrado pelos policiais rodoviários federais.

Semanas antes, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se reuniram com o Ministério Público Federal para exigir a prisão cautelar dos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos na abordagem de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, na BR-101 no município de Umbaúba (SE), que terminou com sua morte.

Segundo o Fantástico, da TV Globo, os policiais envolvidos são Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia. Eles foram afastados das funções na corporação.

Relembre o caso

Genivaldo, um homem negro de 38 anos, estava na BR-101 e andava de moto sem capacete. Ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal e foi colocado no porta-mala de um carro das autoridades. Os policiais colocaram gás lacrimogêneo e gás no pequeno espaço, o que levou o homem a morte por asfixia mecânica.

Após ser imobilizado, Genivaldo se contorceu, pedindo por socorro e depois foi prensado no porta-malas da viatura. Relatos de testemunhas mostram que havia fumaça e spray de pimenta no momento do ocorrido. Wallyson de Jesus, sobrinho da vítima, contou que informou aos policiais sobre o transtorno mental do tio.

Segundo o sobrinho de Genivaldo, quando os agentes abriram o porta-malas o homem já não apresentava resistência. Em seguida, os policiais deixaram o homem lá e realizaram o reboque da moto. “Ele ficou lá no local. Com toda calma, eles foram pegar a moto, pegar um engate no reboque deles para colocar na viatura, pegar a moto e botar em cima”, relatou.

Em seguida, os agentes foram para a delegacia e, pouco depois, a família foi notificada que Genivaldo estava em um hospital. “Assim que a gente chegou na delegacia, o delegado notificou a gente que eles tinham vindo para o hospital. Quando chegamos lá, estava um policial na porta do quarto. A gente pediu para entrar. Ele disse não, não entra ninguém aqui”, conta o sobrinho.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos