Caso Henry: advogados de Jairinho prometem 'reviravolta' em audiência com peritos

Os advogados Claudio Dalledone e Flávia Fróes, que defendem o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, afirmaram, na manhã desta quarta-feira, dia 1º, que haverá uma “reviravolta” no processo em que ele e a ex-namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, são réus por torturas e pela morte do filho dela, Henry Borel Medeiros. Eles afirmaram que irão apresentar um novo exame de raio-x feito no menino, no Hospital Barra D’Or, naquela madrugada, contestando morte violenta e atestando acidente doméstico.

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— Iremos debater a prova da materialidade, discutir, criar o contraditório ao médico que estendeu por 40 dias o exame, tendo visto somente uma vez o corpo. São imperfeições, defeitos contidos nessa sequência de laudos que não seguem a lei, o que é no mínimo estranho e bisonho — garantiu Claudio Dalledone.

Nesta quarta-feira, serão ouvidos o perito legista Leonardo Huber Tauil, que assinou o laudo de necropsia do menino, atestando que ele havia sofrido hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e o assistente técnico Sami El Jundi, contratado pelos advogados do ex-parlamentar. Monique, que está em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, não irá participar da audiência. Já Jairinho a acompanhará por meio de videoconferência no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu.

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Pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel, rebateu a tese apresentada pelos advogados:

— O conjunto todo mostra que o meu filho foi muito agredido naquele apartamento. O perito foi a pessoa que viu o corpo no IML e hoje vai esclarecer mais detalhes sobre o exame que ele fez. O raio-x que eles mencionam já faz parte do processo, ele foi tirado a pedido do Jairo depois da morte do meu filho e não mostra nada de anormal. O que não há dúvidas é que Jairinho e Monique omitiram o que fizeram naquela noite com o Henry, o que não deu nenhuma possibilidade do meu filho sair vivo.

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Para o promotor Fábio Vieira — responsável pelo aditamento da denúncia do Ministério Público que acusa Jairinho de ter agido por “sadismo”, sendo a morte da criança um ato para satisfazer o seu próprio prazer, e Monique por ver vantagem financeira no relacionamento "em detrimento da saúde física e mental do seu filho" — a prova oral realizada será importante para a ação:

— A defesa irá trazer o apoio técnico, mas certamente só irá apresentar o que for favorável a pretensão que têm no processo. Ainda assim, as oitivas são válidas para garantir a ampla defesa.

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Nos documentos assinados por Leonardo Huber Tauil, o profissional do Instituto Médico-Legal (IML) descreveu de forma minuciosa todas as lesões, ressaltando que as descritas com tamanho de 10mm podem corresponder a marcas de pressão digital, ou seja, são condizentes com as produzidas mediante ação violeta. A multiplicidade de segmentos do corpo onde foram encontradas equimoses é compatível com mais de uma contusão.

“As equimoses presentes na face palmar da mão direita, na região suprapatelar ireita, na face lateral do joelho direito, na face medial do tornozelo direito e na região infrapatelar esquerda, bem como no terço superior do braço direito e inferior do antebraço esquerdo não podem ter sido produzidas em uma única contusão (ação). As lesões constatadas no corpo são sugestivas de diversas ações contundentes e diversos graus de energia, sendo que as lesões intra-abdominais foram de alta energia”, escreveu.

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Os peritos demonstraram também nos laudos que a presença de infiltrações hemorrágicas no couro cabeludo em três regiões distintas (parietal direita, occipital e frontal) correspondem a três ações contundentes distintas, ou seja, uma queda de altura não produziria tais lesões. “A quantidade de lesões externas não pode ser proveniente de uma queda livre”, escreveram. Diante desses elementos, eles descartaram então a possibilidade de um acidente doméstico (queda), “visto que todas as lesões citadas anteriormente apresentavam características condizentes com aquelas produzidas mediante ação violenta (homicídio)” e afirmaram que as lesões produzidas em Henry se deram no apartamento, durante o intervalo de 23h30 a 3h30.

Advogado de Jairinho, Cláudio Dalledone afirma que, na audiência desta quarta-feira, Leonardo Huber Tauil terá a oportunidade de “explicar a sociedade as imperfeições, as ilegalidades e as contradições de seis laudos que emendam uma hipótese acusatória de homicídio”, e que, segundo ele, “irão cair por terra”:

— Nós estamos investigando uma morte suspeita e iremos desvelar revelando aqueles segredos insondáveis por trás das emendas feitas, por 40 dias, no laudo de exame de necropsia. São imperfeições, interesses e motivos escondidos em torno de seis declarações feitas pelo perito. O procedimento dele não foi correto. A bagunça institucional tem que acabar, diante da observância do nosso regramento legal.

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