Caso Henry: Dr. Jairinho pode perder Medalha Tiradentes concedida pela Alerj em 2007

O Globo
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RIO — Preso desde a última quinta-feira, dia 8, investigado pela morte do enteado, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, (sem partido), pode perder a Medalha Tiradentes concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele recebeu a máxima honraria, que é dada a personalidades que tenham prestado bons serviços ao estado, ao Brasil e à humanidade, em dezembro de 2007 pelo então deputado Antonio Pedregal. Nesta segunda-feira, dia 12, o deputado Noel de Carvalho (PSDB) protocolou um pedido de revogação da medalha.

— É inimaginável que alguém cometa qualquer ato violento contra quem quer que seja, principalmente quando a vítima é uma criança, que não tem como se defender. É um ato muito covarde que se torna ainda mais repulsivo quando essas agressões resultam em morte. A morte do Henry, que agora é um anjo, dói na nossa alma. Como parlamentar, sinto-me na obrigação de pedir a revogação da Medalha Tiradentes concedida ao Dr. Jairinho — diz o deputado.

Dr. Jairinho e sua namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, foram presos na última quinta-feira, dia 8, pela morte do filho dela, Henry, no dia 8 de março. Em novo depoimento prestado ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), a babá Thayna de Oliveira Ferreira disse que mentiu na declaração dada em 24 de março, e afirmou que a família vivia em harmonia por medo do parlamentar. Ela afirmou que,"por ter visto o que Jairinho tinha feito contra uma criança, ficou com medo que algo também pudesse acontecer com ela própria", diz o relatório da polícia, ao qual o Extra teve acesso. A ex-funcionária da família alegou ainda não ter contado sobre as agressões do vereador contra o menino a pedido de Monique.

Lesões:Laudo apontou 23 lesões no corpo da criança

No fim da tarde desta segunda-feira, o desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) negou o pedido de liminar para a soltura do vereador e da namorada. Dr. Jairinho e Monique tiveram a prisão temporária por 30 dias pela juíza do 2º Tribunal do Júri, Elizabeth Louro, por entender que o casal estava atrapalhando as investigações. Os advogados de ambos alegaram no pedido de habeas corpus que a Polícia Civil teria obtido provas de maneira ilegal. Um dos exemplos apresentados pela defesa foi que os aparelhos, quando apreendidos na casa dos acusados, no dia 26 de março, não foram lacrados. O desembargador Joaquim Domingos não viu causa para anular as evidências.

Perguntas ainda sem resposta

Como o menino foi morto? O que causou tantas lesões?

Necropsia feita no corpo de Henry mostra que ele morreu de hemorragia interna devido à laceração no fígado, causada por ação contundente. Ele também foi machucado na cabeça. Os peritos já sabem que as lesões não foram causadas por acidente doméstico.

Por que a babá não contou à polícia que Henry foi agredido?

A babá Thayná de Oliveira Ferreira avisou à mãe de Henry, Monique Medeiros, que o filho saiu mancando do quarto onde ficou trancado com Dr. Jairinho. O menino sentia dores na cabeça e na perna. A mãe de Thayná trabalha para família de Dr. Jairinho.

A avó da criança não percebeu que o neto passava por problemas?

A professora Rosângela Medeiros da Costa e Silva, avó materna de Henry, disse à polícia que Dr. Jairinho dava presentes e chocolates ao garoto. O menino passava de três a quatro noites por semana em sua casa, em Bangu.

Por que o advogado do casal acompanhou depoimentos de testemunhas?

A juíza Elizabeth Machado Louro, que decretou a prisão de Jairinho e Monique, considerou “insólito” o fato de o advogado dos acusados ter acompanhado os depoimentos da babá e da empregada do casal, que não são defendidas por ele.