Caso Henry: Empregada relata que Monique dava remédios de ansiedade para o filho

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Monique Medeiros disse à empregada que dava ansiolíticos ao filho porque ele não dormia (Foto: Reprodução)
Monique Medeiros disse à empregada que dava ansiolíticos ao filho porque ele não dormia (Foto: Reprodução)
  • Empregada que trabalhava para o casal, Leila Rosângela de Souza, relatou que Monique dava remédios para ansiedade ao menino

  • Mãe alegou que Henry não dormia direito e ficava muito tempo acordado

  • Funcionária voltou atrás e revelou que Henry ficou com "cara de apavorado" depois de ficar trancado com Jairinho

Leila Rosângela de Souza, empregada que trabalhava na casa de Monique Medeiros e Dr. Jairinho, deu um novo depoimento à polícia. Segundo revelado pela TV Globo, Leila disse que a mãe de Henry dava remédios para ansiedade ao menino.

A empregada do casal também admitiu que já tinha visto a criança mancando e com “cara de apavorado” depois de ficar trancado com o padrasto no quarto.

Leila Rosângela relatou que Monique e Jairinho tomavam muitos remédios, mas ela não sabia o motivo. Ela revelou que a mãe dava medicamentos para ansiedade para Henry três vezes ao dia, além de xarope de maracujá.

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Monique teria dito à empregada doméstica que Henry não dormia direito e ficava muito tempo acordado. Segundo a TV Globo, a polícia não informou que os remédios dados ao menino tinham prescrição médica.

Diferenças no primeiro depoimento

Na primeira vez em que foi ouvida pela polícia, Leila Rosângela havia dito que Jairinho e Henry não costumavam ficar sozinhos. Agora, ela voltou atrás na versão. Ela ainda relatou que, em 12 de fevereiro, os dois ficaram juntos no quarto por 10 minutos.

Leila Rosângela alega que não ouviu nenhum barulho, mas percebeu que a porta do closet estava trancada. Ao ser questionada porque não relatou o fato no primeiro depoimento, ela afirmou que não se lembrava.

No novo depoimento, a empregada doméstica relatou que Henry Borel chorava com frequência e, às vezes, vomitava.

Relembre o caso Henry Borel

Henry Borel foi deixado pelo pai na casa de Monique e Jairinho e, horas depois, estava morto (Foto: Reprodução)
Henry Borel foi deixado pelo pai na casa de Monique e Jairinho e, horas depois, estava morto (Foto: Reprodução)

A polícia do Rio de Janeiro investiga a morte do menino Henry Borel Medeiros, de apenas 4 anos, enteado do vereador Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Dr. Jairinho, e filho de sua namorada, a professora Monique Medeiros.

O caso ocorreu na madrugada do dia 8 de março, na Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a mãe e o entedeado, o menino foi encontrado caído no chão em um dos quartos do apartamento e levada às pressas ao hospital.

O pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, disse em entrevista ao RJ2 que está separado da mãe do menino e que esteve com o filho no fim de semana anterior à morte dele.

No sábado (6) foram a uma festa e no domingo (7) à noite o deixou de volta na casa na mãe, na Barra da Tijuca, onde a criança chorou muito, como de costume. Horas depois, de madrugada, Leniel recebeu uma ligação de Monique dizendo que ela e Dr. Jairinho estavam levando Henry ao Hospital Barra D'Or.

Prisão do casal

A professora Monique Medeiros da Costa e Silva e o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), foram presos, na manhã desta quinta-feira, dia 8, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca). Contra o casal foram cumpridos mandados de prisão temporária por 30 dias, expedidos pela juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da capital.

Os dois são suspeitos de participação na morte do filho dela, Henry Borel Medeiros, durante a madrugada de 8 de março. De acordo com as investigações, Jairinho agredia o menino com bandas, chutes e pancadas na cabeça e Monique tinha conhecimento disso, pelo menos, desde o dia 12 de fevereiro.

Mãe “concordou com o resultado”

Em 12 de fevereiro, a babá que trabalhava com Monique Medeiros e cuidava de Henry Borel, alertou a mãe que o menino havia sido agredido pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho. A polícia apreendeu o celular da funcionária e encontrou conversas entre as duas.

O relato teria sido feito pelo próprio Henry para a babá: Jairinho pegou o menino pelo braço, deu uma rasteira no menino e o chutou. As informações foram reveladas pelo delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, da Barra da Tijuca, onde o caso foi registrado.

Para Henrique Damasceno, "não tem a menor dúvida que ela (Monique Medeiros) não só se omitiu quando a lei a obrigada a fazer, como ela concordou com o resultado. Ela aceitou o resultado. Ela se manteve firme ao lado dele."

"A própria babá fala que o Henry estava mancado, que quando ela foi dar banho no Henry ele não deixou lavar a cabeça, porque ele estava com dores. Se trata de uma prova extremamente relevante. Fica muito claro que toda aquela versão que nos foi apresentada de uma família harmoniosa era uma farsa", disse o delegado durante entrevista coletiva.

Mentira no primeiro depoimento

No primeiro depoimento prestado por Monique Medeiros e Dr. Jairinho, os dois disseram às autoridades que o ambiente familiar era harmonioso e que a relação entre Henry e o padrasto era boa. "Nesse depoimento foi colocado de uma maneira muito extensa como se ali fosse um núcleo familiar extremamente harmonioso, como se a relação entre Henry e o padrasto fosse muito boa."

Ainda sobre o depoimento, Henrique Damasceno detalhou que o pai de Henry, Leniel, deixou a criança por volta das 19h30 na casa do casal. "Ele passou mal, ele chegou a vomitar, ele chorou. A própria família disse que era uma circunstância comum quando ele ficava nervoso. Quando a mãe subiu, a mãe deu banho no momento, ele não tinha lesões, não se queixou", disse o delegado. Há uma foto do menino sorrindo horas antes de ser morto.

"Em um intervalo curto de horas, o Henry já chegou morto ao hospital na Barra da Tijuca. E quem estava com ele naquele momento, nesse intervalo, era exatamente a mãe e o padrasto."

Quando o caso foi registrado, chegou como acidente doméstico. "Mais tarde, naquele mesmo dia, nós verificamos, pelo laudo de necropsia, que existiam múltiplas lesões na crianças. De fato, levantou suspeitas desde o início que precisaria ser um fato muito bem investigado."

Omissão de Monique

A equipe da delegacia responsável relatou que, quando a polícia realizou buscas para apreender os celular de Monique e Dr. Jairinho, eles tentaram jogar os aparelhos pela janela.

"Nós também, buscando obter novas provas, achamos oportuno ir pela busca a apreensão, fizemos uma operação, conseguimos apreender os telefones celulares deles e os computadores portáteis. Em laudos que foram disponibilizados, especificamente o telefone da mãe, nós encontramos prints de conversas que foram com certeza uma prova extremamente relevante, uma vez que os prints era de quase um mês antes do crime."

Henry foi morto em 8 de março de 2021, e os prints encontrados de conversar entre Monique e a babá eram de 12 de fevereiro. Para o delegado, as conversas são "prova extremamente relevante".

"Fica muito claro que toda aquela versão que nos foi apresentada de uma família harmoniosa era uma farsa. A mãe não comunicou a polícia, a mãe não afastou o agressor do convívio de uma criança de quatro anos, filho dela. É importante que se diga que ela tem uma obrigação moral de fazer isso, imposta pela legislação brasileira."

"Além disso, quando verificamos o pior, a morte do Henry, ela esteve em sede policial, em depoimento, apresentando uma declaração mentirosa, protegendo o assassino do filho dela."

Segundo o delegado, as provas são fortes e convincentes a respeito da dinâmica de participação de Monique e Dr. Jairinho na morte de Henry, mas as investigações sobre o caso continuam.