Caso Henry: 'versão de monstro', diz pai do menino sobre carta em que Jairinho sugere morte natural ou por envenenamento

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RIO - O engenheiro Leniel Borel de Almeida classificou como mentiroso o primeiro pronunciamento do médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, após ser preso por torturar e matar o enteado, Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Ele rebateu o conteúdo de uma carta de seis páginas de caderno escritas na Cadeia Pública Pedrolino Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, em que o ex-parlamentar reafirma o bom relacionamento que tinha com o filho de sua então namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e chega a sugerir que menino possa ter sido vítima de causas naturais, ter chegado doente do fim de semana com o pai.

Ao ter ciência dessa carta mentirosa, como pai que sempre protegi e zelei pela integridade do meu filhinho, tive ainda mais convicção de que estar diante de um monstro, cuja frieza e maldade são seus maiores aliados. Ainda que toda escrita desmereça profissionais comprometidos com a verdade, sua monstruosidade prevalece em prol do indefensável. Continuarei lutando por justiça e não permitirei que mentiras ocultem o assassinato brutal do meu filho - disse o engenheiro, em entrevista ao Globo.

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Na qualidade de pai da vítima, Leniel atua no processo em que Monique e Jairinho são réus como assistente de acusação. Conforme prevê o Código de Processo Penal brasileiro, é permitida a atuação das próprias vítimas de crimes, seus companheiros, pais, irmãos e filhos como auxiliares do Ministério Público, propondo meios de prova — solicitando perícias e acareações — e ainda requerendo perguntas às testemunhas, participando dos debates orais e apresentando as razões de recursos interpostos pelo promotor ou por ele próprio:

- É muito triste como pai ouvir novas versões deste monstro! Venho buscando a verdade incansavelmente desde a madrugada de 8 de março, quando meu filhinho foi brutalmente assassinado naquele apartamento de terror. Já ouvimos várias versões daqueles dois assassinos: mal súbito, bronco-aspiração, acidente doméstico, queda de cama, erro médico, causas naturais, ter chegado doente, envenenamento, etc. Aqueles dois assassinam meu Henry e talvez nunca falarão a verdade!

Na carta, divulgada pelo UOL e obtida pelo Globo, Jairinho diz ter sido vítima da espetacularização da investigação criminal e da criação de um enredo de condenação antecipada, que incitou a “ordem pública”. O ex-vereador alega que não havia motivos para que o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP e responsável pelo inquérito, desconfiasse dele. “Não existe qualquer indício de que eu tenha feito absolutamente nada com o Henry”, escreve.

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O ex-vereador critica os laudos assinados por peritos do Instituto Médico-Legal (IML), que apontam que o Henry sofreu hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e que seu corpo apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões: “Os laudo (sic) não trás (sic) a materialidade, são contraditórios, são feitos seis laudos, e aí um vem “desdizendo” o outro, o que caracteriza uma perícia falsa, das pouquíssimas fotos que o perito tira, ele coloca mais lesão no desenho esquemático”.

“Não houve agressão. Henry foi socorrido prontamente, o mais rápido possível, imagens de elevador mostra (sic) sem lesão, foi atendido, as médicas e o perito demonstram inflamatório (sinal inequívoco de vida), chegou vivo, foi feito (sic) duas horas de massagem cardíaca e depois as médicas atestam o óbito, sem lesão e sem causa determinada. Se não houve lesão, não houve agressão. Isso foi visto por todos”, conclui Jairinho.

“Não se sabe se foi morte natural. Infarto? Doença no fígado? Não se sabe se ele já veio doente do pai (Leniel), bateu em algum lugar, foi envenenado, emboscado. Se ele passou mal no dia, no apartamento. Não se sabe a causa da morte”, escreve o ex-parlamentar.

Em nota, a advogada Sâmya Massari, que representa Leniel, disse que “as dúvidas descabidas, suscitadas na carta contrariam veementemente o já veiculado com maestria pelo perito oficial, por meio do qual as inúmeras lesões foram devidamente identificadas e descritas no laudo pericial, descartando, assim, quaisquer hipóteses relacionadas a acidentalidade ou morte natural”.

“Uma criança de 4 anos, após ter sido entregue em perfeitas condições à mãe, foi submetida a ações brutais que não poderiam acarretar outro resultado senão sua morte. Em momento processual oportuno, mediante resposta aos quesitos apresentados, a demonstração da materialidade estará ainda mais evidenciada aos que auferem incertezas. A vítima Henry Borel chegou ao hospital sem vida, o que foi informado pelas médicas aos familiares, no próprio dia do fato e posteriormente corroborado em audiência. Os questionamentos devem ser direcionados a elucidar como o homicídio doloso triplamente qualificado foi praticado e jamais a desvirtuar da verdade”, informou a advogada.

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