Caso João Pedro: Justiça ouve duas testemunhas na segunda audiência sobre assassinato do adolescente

Duas testemunhas foram ouvidas, na tarde desta quarta-feira, na segunda audiência de instrução e julgamento do processo que apura a morte de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Em maio de 2020, o adolescente foi morto com um tiro de fuzil durante operação conjunta das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

A audiência, que teve duração de aproximadamente três horas, foi conduzida pela juíza Juliana Grillo El-Jaick, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. São acusados pelo crime os policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister.

A primeira testemunha a depor foi uma adolescente de 17 anos, amiga da vítima. Ela e outros jovens estavam na casa em que João Pedro foi baleado. A menina contou que os amigos estavam no quintal, quando ouviram barulhos de helicóptero e tiros. Os adolescentes correram para se abrigar na casa e viram os policiais chegarem pelas entradas da frente e dos fundos e atirarem. João Pedro foi atingido e caiu. A adolescente disse, também, que viu um homem, usando touca e colete, pular o muro.

A segunda testemunha a ser ouvida foi um pedreiro que trabalhava em um terreno da região. Ele relatou que, por volta das 14h, viu pelo menos três helicópteros e ouviu tiros. O homem mostrou o instrumento de trabalho aos policiais e seguiu andando, com as mãos na cabeça, em direção à casa do irmão, que fica em frente à residência em que João Pedro foi morto. Lá se trancou no banheiro, assustado com os tiros. A pedido da defesa, outras seis testemunhas, policiais federais, serão ouvidos por carta precatória.

A primeira audiência do caso foi em setembro deste ano, mais de dois anos após o assassinato de João. Foram ouvidas sete testemunhas de acusação, cinco adolescentes que estavam na casa e dois parentes de João Pedro.

João Pedro tinha 14 anos e brincava com cinco amigos na casa de um parente quando foi atingido por um tiro de fuzil em uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em maio de 2020. Segundo parentes, agentes que participavam da ação entraram atirando na casa da vítima.

Os três agentes, que estavam a bordo de um helicóptero em apoio a uma ação da Polícia Federal para tentar prender o traficante Ricardo Severo, o Faustão, desembarcaram da aeronave quando avistaram homens com fuzis e começaram a persegui-los pela favela. Os agentes afirmaram que os suspeitos entraram na casa onde o menino estava. Houve tiroteio no local. Os amigos de João Pedro, que presenciaram tudo, afirmam que não havia traficante na casa.

Após João ser ferido, um helicóptero da Polícia Civil o levou do local, para, segundo fontes da instituição, o Saer (Serviço Aero Policial, na Lagoa).