Caso Kathlen: policiais alegam que não tinham ângulo para acertá-la em tiroteio

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Reprodução/TV Globo

A chocante morte da jovem Kathlen Romeu, no Complexo do Lins, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), comoveu o país inteiro. Grávida de 14 semanas, ela não resistiu após ser baleada em operação policial no local. Ela foi levada para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.

A operação policial que terminou com a morte de Kathlen começou por volta das 14h (Brasília) da última terça-feira (8). Veja as informações que foram passadas por policiais à reportagem sobre como decorreu a operação e o momento em que o corpo da vítima foi encontrado, ainda com vida, segundo os PMs que participaram da operação.

O que a polícia afirma?

A informação oficial da polícia, de acordo com o comando da UPP local, é que por volta das 14h duas patrulhas realizavam ronda na comunidade e, ao passarem no que é conhecido como Beco do 14, foram alvos de tiros de bandidos que estavam no local.

Os policiais afirmam ter revidado os tiros e, com isso, ter provocado a fuga dos bandidos do local. Mais à frente de onde trocaram tiros com os criminosos, os agentes afirmam ter encontrado o corpo de Kathlen, já ferida e caída no chão.

Polícia alega não ter ângulo para ter acertado Kathlen

O que os policiais afirmam é que não teriam ângulo, do local onde estavam quando começou a troca de tiros, para acertar Kathlen onde ela estava. Os oficiais ainda afirmam que fizeram imediato procedimento de socorro e a encaminharam para o hospital, onde teria morrido.

“Só a perícia pode afirmar isso, porém, preliminarmente podemos concluir que esse disparo foi efetuado pelos dois bandidos, identificados como ’Trem’ e ‘Peruquinha’ pelos policiais militares”, afirma fonte dentro da PM.

Kathlen Romeu morreu baleada em comunidade na Zona Norte do RJ — Foto: Reprodução redes sociais
Kathlen Romeu morreu baleada em comunidade na Zona Norte do RJ — Foto: Reprodução redes sociais

De acordo com um dos policiais presentes na operação, os dois bandidos usavam uma metralhadora Colt e uma pistola. Ele afirma ter identificado que o ferimento da vítima seria compatível com tiros de uma pistola. Não há, no entanto, nenhuma informação oficial da perícia sobre ângulos ou ferimentos até o momento.

Além das armas, os policiais apreenderam munição e carregadores.

Protesto pedirá Justiça após morte de Kathlen

Foi convocado para hoje (9) um ato para pedir justiça por Kathlen Romeu, 24, que morreu baleada por policiais na Zona Norte do Rio de Janeiro na terça-feira (8). A manifestação ocorre às 16h na Rua Lins de Vasconcelos, na comunidade de mesmo nome, onde a jovem foi assassinada.

A deputada Dani Monteiro (PSOL), que também preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) convocou os atos em suas redes sociais e afirmou que “o que aconteceu com Kathlen é o sintoma de uma política de segurança pública que serve ao objetivo de deteriorar corpos negros”.

Quase 700 mulheres foram baleadas desde 2017 na Região Metropolitana do RJ

Quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. O levantamento consta na plataforma de dados Fogo Cruzado, e contabiliza tanto as vítimas baleadas em operação quanto as de homicídios.

Ao todo, foram 681 mulheres atingidas por disparos de arma de fogo, das quais 258 morreram. De 2017 para cá, 15 vítimas baleadas estavam grávidas; oito morreram.

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