Caso Kiss: Juiz chama assistente da acusação de 'toupeira'; redes reagem

Desembargador do caso da Boate Kiss chamou advogado de toupeira (Foto: Reprodução/TJ-RS)
Desembargador do caso da Boate Kiss chamou advogado de toupeira (Foto: Reprodução/TJ-RS)

Durante o julgamento da 1ª Câmara Criminal, responsável por condenar os quatro réus do caso da Boate Kiss, o desembargador-relator, Manuel José Martinez Lucas, se referiu ao assistente de acusação, Pedro Barcellos, como “toupeira”.

“Passo a palavra ao advogado... do assistente de acusação... doutor Pedro... ah, é aquela toupeira”, disse o desembargador-relator, sem notar que o microfone estava aberto.

Em seguida, Manuel José Martinez Lucas passa a palavra para o advogado. A cena chamou atenção e repercutiu nas redes sociais.

Procurados pelo portal g1, os envolvidos não se pronunciaram sobre o tema.

Anulação da sentença

O julgamento que condenou quatro réus pela tragédia da boate Kiss, ocorrida em Santa Maria em 2013, foi anulado pelos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A decisão se deu por 2 votos a 1, na análise dos recursos da defesa dos réus nesta quarta-feira (3).

Com a nova decisão, deverão ser libertados:

  • Elissandro Callegaro Spohr, dono da boate Kiss, que havia sido condenado a 22 anos e seis meses de reclusão;

  • Mauro Londero Hoffmann, sócio de Spohr, que havia sido condenado a 19 anos e seis meses;

  • Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que havia sido condenado a 18 anos; e

  • Luciano Bonilha Leão, assistente da banda, também condenado a 18 anos.

Com a anulação do julgamento, o incêndio que terminou com 242 mortes e mais de 600 feridos pode completar dez anos em janeiro de 2023 sem nenhum responsabilizado na prisão. O Ministério Público pode recorrer da decisão desta quarta-feira ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Os advogados dos réus haviam pedido a anulação do julgamento alegando que não houve cumprimento das regras judiciais ao longo do processo. Advogado de Spohr, Jader Marques, citava entre os motivos a definição de um dos jurados a seis dias do júri, causando prejuízo à preparação das defesas.

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