Caso Lázaro: caçada a serial killer chega a 11 dias após novo cerco

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Após novo cerco na tarde desta sexta-feira, as buscas pelo serial killer Lázaro Barbosa de Sousa, de 32 anos, entram no décimo primeiro dia com expectativas renovadas para a prisão do fugitivo. 

Policiais e moradores voltaram a avistar o criminoso ontem, na zona rural de Girassol, distrito de Cocalzinho de Goiás. Com o autor da chacina no Distrito Federal acuado e cansado, o entendimento é de que a captura se aproxima.

O secretário de segurança pública de Goiás, Rodney Miranda, disse em coletiva na última noite que a força-tarefa montada para deter Lázaro espera prendê-lo ainda neste sábado. As aparições do criminoso sugerem, segundo ele, que operação está próxima de chegar à localidade exata do fugitivo.

— Ele está a cada dia mais cansado, mais acusado. Não deixa, de maneira nenhuma, de ser perigosíssimo, mas está nas últimas forças — afirmou Miranda. — Tenho quase certeza que cheguei a vê-lo, a 1 km de distância, do outro lado de um vale. A aparência dele não era de pessoa ferida.

Na quinta-feira, houve uma nova troca de tiros envolvendo Lázaro e a polícia. O confronto foi o segundo envolvendo Lázaro num intervalo de dois dias. Havia suspeitas de que o serial killer tenha ficado ferido, já que um dos cães farejadores que participam da força-tarefa achou um pano com marcas de sangue. No mesmo dia, foi anunciado que 20 agentes da Força Nacional foram acionados para reforçar as buscas, mas eles não devem mais ir ao local.

— Houve oferecimento. No primeiro momento, coloquei que não haveria necessidade porque outros estados podem precisar, como Amazonas. Ele disse que tem tropa de 20 policiais de pronto emprego, mas essa tropa não veio. Creio que foi mobilizada para outro lugar — explicou o secretário.

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Na última terça-feira, houve um confronto após o criminoso fazer um casal e sua filha adolescentes reféns à beira de um Rio. A jovem conseguiu mandar uma mensagem para um policial pedindo socorro. Os agentes foram para o local e conseguiram salvar a família. Na troca de tiros, um PM foi baleado de raspão. Ele já teve alta.

A caçada a Lázaro começou depois de ele matar quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia Norte, no Distrito Federal, no dia 9 de junho. Ele invadiu a chácara de Cláudio Vidal, de 48 anos, e assassinou ele e seus filhos, Carlos Eduardo, de 21, e Gustavo, de 15. Na fuga, o criminoso sequestrou Cleonice Vidal, de 43 anos, mulher de Cláudio. Ela foi encontrada morta no dia 12.

Desde então, a procura por Lázaro ganhou o noticiário nacional. O criminoso virou até meme nas redes sociais. A todo momento, a polícia recebe ligações de pessoas que afirmam terem visto Lázaro. Muitas pessoas que moram na região rural de Cocalzinho deixaram suas casas — algumas são invadidas pelo suspeito, que aproveita para se alimentar.

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, se pronunciou sobre Lázaro: vem fazendo a polícia do Distrito Federal e do Goiás quase como de bobas”, comentou. Mais de 300 policiais estão envolvidos na operação.

A caçada para encontrar o suspeito preocupa a companheira de Lázaro, que espera que ele se entregue às autoridades. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, ela contou estar estarrecida com os crimes dos quais o companheiro é suspeito — as mortes de quatro pessoas da mesma família no DF e de uma em Goiás — e diz temer que Lázaro acabe morto:

— Temos medo de receber a notícia de que ele morreu.

A notoriedade despertou comentários de autoridades políticas. O vice-presidente Hamilton Mourão comentou, nesta sexta-feira (18), que a operação de busca é como “buscar leão na selva”: Vai batendo o mato. É uma operação demorada, não é simples", disse. Já o presidente Jair Bolsonaro aproveitou o caso para defender o porte de armas entre os brasileiros: Arma deixa você dormir em paz em casa, disse.

<p>Foragido há oito dias e espalhando uma onda de crimes pelo centro-oeste do país, Lázaro Barbosa já mostrou sua capacidade como fugitivo em 2018. Naquele ano, escapou de uma cadeia pelo teto da cela.</p>
Foragido há oito dias e espalhando uma onda de crimes pelo centro-oeste do país, Lázaro Barbosa já mostrou sua capacidade como fugitivo em 2018. Naquele ano, escapou de uma cadeia pelo teto da cela

Os crimes de Lázaro

  • Quarta-Feira, dia 9 de junho:

Lazáro invade a chácara de Cláudio Vidal e mata ele e seus filhos, em uma ação que dura cerca de 10 minutos. No momento da fuga, faz Cleonice Marques, de 43 anos, mulher de Cláudio, refém e a sequestra. Logo após a entrada do bandido na casa, ela teria feito uma ligação para seu irmão pedindo por socorro. Sua família chega momentos depois, mas encontra apenas os corpos de Cláudio e seus filhos.

  • Quinta-feira, dia 10 de junho:

Na parte da manhã, Lazáro Barbosa teria invadido outra residência apenas três quilômetros de distância da chácara da família de Cláudio e Cleonice. Ele teria mantido a dona da casa, Sílvia Campos, de 40 anos, e o caseiro, Anderson, de 18, sob a mira de sua arma durante três horas e os obrigado a fumar maconha. Ele teria roubado cerca de R$ 200 e celulares antes de deixar a residência. Cleonice continua desaparecida.

  • Sexta-feira, dia 11 de junho:

Lazáro é suspeito de roubar um carro e fazer mais um refém. Ele teria deixado Ceilândia e ido para Cocalzinho, em Goiás. Lá, incendeia o veículo. A polícia acredita que ele pode ter contado com a ajuda de um comparsa nesse momento. As buscas por Cleonice continuam.

  • Sábado, dia 12 de junho:

O corpo de Cleonice é encontrado em um córrego próximo ao Sol Nascente. Enquanto isso, Lázaro teria invadido uma residência nos arredores de Lagoa Samuel, onde teria ingerido bebidas alcoólicas, feito o caseiro refém e destruído o seu carro. Horas depois, ele teria invadido outra chácara, atirado em três homens e roubado armas de fogo. À noite, teria incendiado uma casa em Cocalzinho. Alguns relatos afirmam que ele teria trocado tiros com a polícia, informação que não foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública de Goiás. Os três homens baleados foram levados a um hospital. Dois encontram-se em estado grave.

  • Domingo, dia 13 de junho:

Lazáro invade uma casa por volta das 15h. A residência estaria vazia naquele momento. O criminoso teria roubado um carro Corsa vermelho. Aproximadamente às 18h30, o veículo teria sido abandonado em uma rodovia, a 30 quilômetros da residência invadida mais cedo. Acredita-se que Lázaro tenha avistado um bloqueio policial e decidiu fugir para o mato. Dentro do carro, a polícia encontrou um carregador de munição. De acordo com a Polícia Militar de Goiás, o suspeito teria chegado a trocar tiros com a polícia antes de fugir para um matagal.

  • Segunda-feira, dia 14 de junho:

Lázaro troca tiros com um fazendeiro na região de Edilândia. Policiais civis e militares fecham o cerco, mas não efetuam a prisão do suspeito. Foi levantada a hipótese de o autor da chacina ter ficado ferido.

  • Terça-feira, dia 15 de junho:

Uma família é feita refém por Lázaro na zona rural de Edilândia. Segundo Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública de Goiás, ele utilizou o mesmo modus operandi e levou o casal dono da propriedade e a filha adolescente deles para a beira de um rio. A menina conseguiu, porém, mandar uma mensagem para o celular de um policial que visitou a casa das vítimas no dia anterior. As equipes foram até o local e houve confronto com o criminoso. Os reféns foram salvos, mas um policial acabou sendo baleado de raspão. Ele recebeu atendimento e passa bem. Lázaro conseguiu fugir.

  • Quarta-feira, dia 16 de junho:

Lázaro Barbosa foi visto por um morador em uma área rural. De acordo com Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública de Goiás, os policiais foram alertados sobre a presença do serial killer e fecharam o perímetro de buscas em torno do local onde ele foi visto. Miranda também afirmou que Lázaro havia passado a noite anterior em uma casa que estava abandonada.

  • Quinta-feira, dia 17 de junho:

No 9º dia de buscas pelo serial killer Lázaro Barbosa de Sousa, o secretário de Segurança de Goiás, Rodney Miranda, afirmou que Lázaro está "desgastado" e tem cometido "erros". Miranda também anunciou que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, ofereceu 20 agentes da Força Nacional para ajudar nas buscas pelo assassino. Houve um novo confronto com policiais. Segundo os agentes que partiparam da ação, Lazáro tentou atirar em um cão farejador, mas não acertou. O animal não se feriu.

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