Caso Marcelo Arruda: para promotor do MPPR, laudo pericial do celular de agente penal é essencial na apuração

Diante da conclusão do inquérito policial antes do prazo sobre o assassinato do petista Marcelo Aloizio de Arruda, o promotor Luís Marcelo Mafra, da 13ª Promotoria de Justiça de Foz do Iguaçu, cobra da Secretaria de Segurança Pública do Paraná o laudo pericial do celular do autor do crime, Jorge José da Rocha Guaranho. Segundo Mafra, que criticou a "pressa" da Polícia Civil em concluir o inquérito antes do prazo, o documento pode evidenciar a motivação do crime a partir da análise das conversas que o atirador teve em aplicativos de mensagens, incluindo "se ele recebeu alguma orientação específica" ou se tinha acesso às imagens de câmeras de segurança do local da festa de aniversário da vítima, com o tema do Partido dos Trabalhadores (PT).

— Quero crer que até amanhã [dia 19] a Secretaria de Segurança Pública do Paraná apresente o laudo pericial do celular do investigado — disse o promotor, destacando que "tudo que constar [no celular do investigado] relacionado ao fato" é relevante.

Para Mafra, diferentemente do que foi apresentado pela Polícia Civil na sexta-feira, o Ministério Público entende que "o procedimento investigatório ainda não está concluído na medida em que ainda faltam alguns laudos periciais", sendo o principal deles referente ao celular de Guaranho.

— Só essa perícia poderá confirmar ou infirmar as suspeitas que temos — afirmou.

O promotor acrescentou que a expectativa do MP é concluir sua apuração na quarta-feira para então oferecer denúncia à Justiça. No entanto, ainda não é possível chegar a uma conclusão sem antes verificar o que havia no celular do autor. Outro ponto importante a ser esclarecido é se Guaranho tinha acesso às imagens das câmeras de segurança do local da festa de aniversário de Arruda, cujo tema foi o Partido dos Trabalhadores (PT), do qual ele era tesoureiro em Foz do Iguaçu. Guaranho era sócio daquele espaço.

Segundo a polícia, o autor do crime saiu do churrasco onde estava no sábado, dia 9 e, sabendo da festa temática do PT, foi aonde Arruda comemorava seus 50 anos. A discussão que terminou em sua morte a tiros começou com uma música relacionada ao presidente Jair Bolsonaro (PL) que tocava no carro de Guaranho. De acordo com testemunhas, o autor gritou "aqui é Bolsonaro". Imagens de câmera de segurança mostram Arruda jogando pedregulhos no veículo. O motorista deixa o local e, passados poucos minutos, volta e invade a festa dando tiros. Ao ser baleado, o aniversariante, também armado, revidou e atingiu Guaranho, que encontra-se respirando com ajuda de aparelhos na UTI.

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito na sexta-feira, quatro dias antes da estimativa de finalização, e afirmou que o homicídio de Arruda não pode ser considerado crime de ódio, por motivação política. Com isso, o Ministério Público do Paraná informou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira, que a responsabilidade da investigação passou a ficar com Mafra, que tem atribuição natural para apuração de crimes dolosos contra a vida, e com promotor de Justiça designado pela Procuradoria-Geral de Justiça para o caso, Tiago Lisboa Mendonça, coordenador do Núcleo de Foz do Iguaçu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

— Não havia a menor razão para tanta pressa [em concluir o inquérito policial antes do prazo] — disse Mafra. — A Polícia Civil poderia ter aguardado até amanhã [dia 19] para concluir as investigações.

Em relação à apuração do MP, o promotor esclareceu que não há uma conclusão até que todas as evidências sejam verificadas. No entanto, disse que ela pode diferir do entendimento da Polícia Civil, dependendo do que indiquem os laudos que faltam.

A Secretaria de Segurança Pública não deu previsão para enviar ao MP o laudo pericial do celular do autor do crime.

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