Caso Mariana Ferrer: advogado de acusado de estupro já defendeu Olavo de Carvalho e Sara Winter

João Conrado Kneipp
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Cláudio Gastão da Rosa Filho já atuou na defesa de Olavo de Carvalho e de Sara Winter. (Foto: Reprodução/YouTube)
Cláudio Gastão da Rosa Filho já atuou na defesa de Olavo de Carvalho e de Sara Winter. (Foto: Reprodução/YouTube)

Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado que defendeu André de Camargo Aranha da acusação de estuprar a promoter Mariana Ferrer em uma festa em 2018, já foi responsável pela defesa de Olavo de Carvalho e Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, dois nomes prestigiados entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

O empresário André de Camargo Aranha foi absolvido da acusação de “estupro de vulnerável”, na qual Mariana Ferrer alegava que acreditava ter sido drogada e, portanto, não tinha condições de aceitar ou negar o ato sexual. No entanto, segundo a Justiça, a vulnerabilidade da vítima não ficou comprovada.

Aranha foi absolvido em setembro deste ano por falta de provas, e uma repercussão do resultado do caso foi compartilhada por Gastão em seu perfil no Facebook. A página de Facebook do defensor estava pública até a tarde desta terça, quando foi fechado o conteúdo para terceiros.

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Na mesma página da rede social, o advogado já se posicionou favorável ao presidente Bolsonaro e manifestou sobre suas atuações na defesa do filósofo conservador Olavo de Carvalho e da ativista bolsonarista Sara Winter.

Gastão já advogou para Olavo em, ao menos, dois processos movidos pelo guru ideológico do bolsonarismo na Justiça de São Paulo: um contra o historiador e comentarista político Marco Antonio Villa, e outro contra o cantor e compositor Caetano Veloso.

No primeiro, Olavo prestou uma queixa-crime contra Villa alegando crimes de calunia, injúria e difamação nas falas feitas pelo historiador em uma entrevista concedida à Leda Nagle, em seu canal no YouTube. No recurso apresentado por Gastão, as críticas de Villa extrapolavam os limites da liberdade de expressão. Na ocasião, Villa acusou Olavo de ser um “pornofilósofo”.

Em outra queixa-crime, desta vez por difamação e injúria contra Caetano Veloso, o advogado defendia a tese que o cantor agiu de má-fé e buscou manchar a reputação de Olavo com afirmações distorcidas e que induziam a erro. A ação foi movida em decorrência de um artigo escrito por Caetano no jornal Folha de São Paulo, em outubro de 2018.

Postagem feita pelo advogado em sua página no Facebook a respeito da defesa de Olavo em uma ação contra Caetano. (Foto: Reprodução/Facebook)
Postagem feita pelo advogado em sua página no Facebook a respeito da defesa de Olavo em uma ação contra Caetano. (Foto: Reprodução/Facebook)

ABANDONO NO CASO DE SARA WINTER

O advogado criminalista catarinense também assumiu a defesa de Sara Winter após a ativista ser presa em Brasília (DF) pela Polícia Federal no âmbito do inquérito das manifestações antidemocráticas, em junho deste ano.

No entanto, Gastão deixou o caso alegando desistência devido à atuação simultânea de vários advogados, o que lhe atrapalhava na definição de uma estratégia de defesa. Após a desistência, o defensor publicou um texto no Facebook explicando suas razões e classificando a prisão dela como “autoritária” e de “duvidoso amparo legal”.

O advogado catarinense também atuou para absolver quatro policiais do BOPE (Batalhão de Operações Especiaos) da Polícia Militar de Santa Catarina acusados de terem torturado um adolescente, em 2012.

Em primeira instância, os PMs foram condenados a 2 anos e 8 meses de reclusão em regime inicial semiaberto. Na segunda instância, os desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina absolveram, por unanimidade, os PMs.

No recurso, Gastão alegou que os militares possuiam um “passado ilibado” e que a conduta deles “não poderia ser posta em dúvida por alguém sem qualquer credibilidade”, se referindo ao adolescente supostamente torturado.

POSTURA NO CASO MARIANA FERRER

A forma como Gastão atuou no julgamento do caso de Mariana Ferrer também foi contestada nas redes sociais, acusando-o de ter humilhado a jovem. Durante a audiência, realizada por videoconferência, o advogado exibe cópias de fotos sensuais produzidas pela jovem enquanto era modelo profissional e afirma que “jamais teria uma filha” do “nível” de Mariana.

“Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo”, disse ele. “Teu showzinho você vai no seu Instagram dar depois”, completou Gastão, durante a audiência. “É seu ganha pão a desgraça dos outros, fala a verdade”.

Procurado pelo The Intercept Brazil, que teve acesso às imagens da audiência, Gastão não quis comentar o caso e falou em “indagações descontextualizadas”. O Intercept Brazil também entrou em contato com a OAB de Santa Catarina, que chamou o advogado para prestar esclarecimentos sobre a postura durante a audiência. No entanto, o processo corre em segredo de justiça, por isso, não poderiam dar mais informações.