Indignação por Mari Ferrer une direita e esquerda de Porto Alegre a Salvador

Matheus Pichonelli
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Joice Hasselmann repercute caso Mari Ferrer no Instaram
Joice Hasselmann repercute caso Mari Ferrer no Instaram

A indignação com o caso Mariana Ferrer, humilhada durante uma audiência do processo em que acusa um empresário catarinense de estupro, chegou às eleições municipais.

No dia em que o site The Intercept Brasil publicou trechos do julgamento que causaram choque nas redes sociais, candidatos a prefeito de diversas capitais e diferentes partidos políticos se posicionaram contra o conceito de "estupro culposo", uma aberração jurídica usada pelo promotor do caso para pedir (e conseguir) a absolvição do acusado, André Aranha.

Em São Paulo, a hashtag #EstuproCulposoNãoExiste uniu de Guilherme Boulos (PSOL) a Joice Hasselmann (PSL), que em seus perfis no Instagram pediram justiça para influenciadora digital. Líder nas pesquisas, Bruno Covas (PSDB) também se posicionou, lembrando que "estupro culposo" não não existe na lei.

Em seu perfil, Joice, que é também deputada federal, disse ter acionado o Conselho Nacional de Justiça para apurar a conduta do juiz e do promotor do caso. "É preciso agir para que as vítimas não desistam de denunciar os criminosos", postou.

Entre os favoritos da corrida paulistana, o único que não havia se posicionado sobre o caso, ao menos até o começo da tarde desta quarta-feira 4, foi o candidato do Republicanos, Celso Russomanno. Seu último post era uma carreata com mulheres em São Paulo.

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No Rio, seu correligionário Marcelo Crivella, que tem alta rejeição entre as mulheres nas pesquisas, também evitou o assunto.

Quem não fugiu do tema foram as candidatas Martha Rocha (PDT), Benedita da Silva (PT) e Renata Souza (PSOL). Ex-delegada da Polícia Civil do Rio, a pedetista, por exemplo, gravou uma fala em seus stories dizendo ter atuado em diversos casos que apuravam violência sexual, que segundo ela é mais difícil de ser narrado do que a violência física. Ela manifestou solidariedade a Mariana Ferer e classificou a decisão baseada em um conceito inexistente como um desrespeito a todas as mulheres vítimas de violência no país. "Todo estupro é intencional", disse.

Delegada Martha Rocha também se posiciona sobre o caso
Delegada Martha Rocha também se posiciona sobre o caso

Argumento parecido usou Benedita da Silva, para quem a Justiça brasileira normalizou um crime que mata milhares por ano.

O caso também foi comentado pelos dois principais candidatos em Salvador, terceira maior cidade do país. Líder nas pesquisas, Bruno Reis (DEM) postou no Instagram que "chamar estupro de culposo não é só absurdo e estarrecedor. É corroborar com este tipo de crime e submeter a vítima -- e todas as mulheres -- a mais um ato de violência".

Já a sua adversária, Major Denice (PT), lembrou que no Brasil uma mulher é estuprada a cada 8 minutos. A sentença revoltante, segundo ela, legitima uma série de violências.

Em Belo Horizonte, o favorito na corrida, Alexandre Kalil (PSD), não havia se posicionado sobre o caso ao longo do dia, diferentemente de sua adversária Áurea Carolina (PSOL), que postou um comentário afirmando que o caso é "mais uma agressão nesse pesadelo de violência e machismo".

A indignação uniu também os rivais em Porto Alegre, Manuela Dávila (PCdoB) e Nelson Marchezan (PSDB), que desejou força para a vítima "seguir lutando contra a injustiça que lhe foi imposta".

O caso aconteceu em 2018 em uma casa noturna de Jurerê Internacional, área nobre e badalada de Florianópolis (SC). Curiosamente, entre os principais candidatos na capital catarinense, apenas o concorrente do PSOL, Elson Pereira, tinha se posicionado em suas redes. Para ele, que tem 13% na última pesquisa Ibope, Florianópolis não pode mais ser palco para violência contra a mulher.

Não havia menção ao caso nos perfis da candidata Angela Amin (PP), terceira colocada nas pesquisas com 9% das preferências.

Nas redes do atual prefeito e candidato a reeleição, Gean Loureiro (DEM), líder na pesquisa com 58%, o último post era uma selfie em uma obra do município. Loureiro é acusado de estupro por uma ex-funcionária da prefeitura. Ele nega a acusação e diz que a relação foi consensual.