Caso Mariana Ferrer: CNJ vai analisar conduta de juiz e promotor

Redação Notícias
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Representação foi feita pelo conselheiro do CNJ Henrique Ávila. (Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ)
Representação foi feita pelo conselheiro do CNJ Henrique Ávila. (Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ)

O conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) Henrique Ávila entregou uma representação para que a Corregedoria do órgão analise a conduta do juiz e do membro do Ministério Público que atuaram no caso do estupro da influencer Mariana Ferrer.

Na avaliação do MP, o empresário André de Camargo Aranha foi acusado de “estupro culposo”, crime que não existe no Código Penal. Ao fim do processo, o acusado foi absolvido por falta de provas.

Na representação enviada ao CNJ, Henrique Ávila escreve que “em virtude da gravidade dos fatos veiculados pela imprensa, venho à presença de Vossa Excelência requerer a imediata abertura de Reclamação Disciplinar para a imediata e completa apuração da conduta do Juiz de Direito Rudson Marcos, do TJSC, na condução do processo criminal movido pelo MPSC contra André de Camargo Aranha pela imputação de suposto crime de estupro de vulnerável em que consta como vítima Mariana Ferrer”.

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O conselheiro do CNJ também citou a audiência do caso, revelada pelo The Intercept Brasil, e disse que a vítima é submetida a “tortura psicológica”. Na representação, Ávila cita trechos do vídeo da audiência, que chama de “chocantes”.

“As chocantes imagens do vídeo mostram o que equivale a uma sessão de tortura psicológica no curso de uma solenidade processual”, diz o conselheiro do CNJ.

“A vítima, em seu depoimento, é atacada verbalmente por Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado do réu. Fotos da vítima são classificadas como 'ginecológicas'; seu choro, como 'dissimulado, falso'; sua exasperação, como 'lagrima de crocodilo”. Afirma o advogado que não deseja ter uma filha ou que seu filho se relacione com alguém do 'nível' da vítima e que o 'ganha-pão' da vítima é a 'desgraça dos outros'”, conclui o conselheiro.