Caso Mariana Ferrer mobiliza mulheres na Europa

GIULIANA MIRANDA
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LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - O caso da influenciadora digital Mariana Ferrer tem repercutido com força em Portugal, e a mobilização já se espalha por outros países europeus. Nas redes sociais, mulheres em várias cidades da Europa têm se engajado em um protesto virtual em apoio à jovem catarinense. Postando uma selfie e indicando a localidade em que estão, elas querem chamar atenção para o caso no exterior. "A ideia veio do sentimento de injustiça que sentimos ao ver a sentença do caso da Mari. Acompanhamos o processo e vimos o quanto a Mari foi revitimizada pelo sistema de Justiça", diz a psicóloga Ana Paula Costa, uma das diretoras da Casa do Brasil em Lisboa, ONG que tem organizado as manifestações. "Quando saiu a sentença e as cenas da audiência, que mostram a postura do advogado, do promotor e do juiz, pensamos que tínhamos que fazer alguma coisa, pois não podemos admitir que nenhuma mulher vítima de violência, que denuncia e segue com o processo, seja tratada daquela forma", completa. Por conta das várias restrições impostas pela segunda onda da Covid-19 nos países da Europa, as manifestações, por enquanto, ficarão apenas no ambiente virtual. O protesto virtual começou com a adesão de mulheres de cidades portuguesas, como Lisboa, Porto e Setúbal, mas já se espalhou por países como Holanda, Espanha e Polônia. "A maioria são brasileiras, mas há outras nacionalidades também", diz Ana Paula Costa. Em Portugal, os principais jornais têm veiculado reportagens sobre o caso de Mariana Ferrer, destacando principalmente as falas do advogado de defesa do réu e a tese de estupro culposo. Jornais e sites de países como Inglaterra, França e Espanha também têm começado a acompanhar o assunto. O PROCESSO Após imagens do julgamento de seu processo terem sido divulgadas em reportagem do site The Intercept na última terça-feira (3), o caso de Mariana Ferrer voltou a ter destaque. A influenciadora digital acusa o empresário André de Camargo Aranha de estupro em um clube de luxo há dois anos, em Florianópolis. Na audiência, o advogado do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, exibiu imagens sensuais da jovem, feitas na época em que ela era modelo, para reforçar sua argumentação de que o sexo foi consensual e descredibilizar Mariana. Classificando as poses da influenciadoras como ginecológicas, o advogado afirmou ainda que "jamais teria uma filha do nível" de Mariana. Ele ainda repreendeu quando ela começou a chorar: "não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lágrima de crocodilo". O caso foi marcado ainda pela mudança de versões, trocas de delegados e promotores e sumiço de imagens de câmeras de segurança. Aranha acabou absolvido. O promotor Thiago Carriço de Oliveira argumentou no processo que não era possível comprovar que o acusado sabia que Mariana não tinha capacidade de consentir a relação sexual. Essa tese de estupro sem intenção foi classificada de "estupro culposo" pela reportagem do The Intercept. O termo, porém, não aparece nos autos. A condução do julgamento que o inocentou causou indignação e tem sido criticada por especialistas. Nas redes sociais, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes se manifestou sobre o assunto. "As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram", afirmou.