Caso Marielle: Crise entre Polícia Civil e força-tarefa começou quando promotoras buscaram saber onde Lessa trabalhou na corporação

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RIO — A crise que resultou no afastamento das promotoras de Justiça Simone Sibílio e Letícia Emile da força-tarefa do caso Marielle, na sexta-feira, começou em maio, quando a dupla enviou ofício à Polícia Civil para apurar detalhes do período em que o sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado pela execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, esteve cedido à instituição. Setores da Polícia Civil interpretaram o documento como sinal de que as promotoras apuravam a relação de Lessa com agentes de lá.

Na busca dos mandantes do duplo assassinato, Sibílio e Emile enviaram, no dia 27 de maio deste ano, o ofício nº 117/2021 ao Departamento-Geral de Gestão de Pessoas, pedindo o histórico de lotação com as publicações das unidades em onde Lessa trabalhou cedido à Polícia Civil. O documento foi endereçado à responsável pelo departamento, delegada Renata Costa Pompas.

Além de saber em que delegacias o sargento reformado atuou como adido, as promotoras requisitaram informações dos outros policiais militares emprestados no mesmo período e nas mesmas unidades onde Lessa prestou serviço. A ideia era saber quem eram os agentes públicos mais ligados ao acusado. Pesquisando os nomes, seria possível ver se eles teriam algum vínculo com suspeitos que poderiam dar a ordem para matar Marielle.

No ofício, foram estipulados 10 dias para a resposta, mas o Departamento-Geral de Gestão de Pessoas atendeu apenas parte da demanda. Segundo fontes do Ministério Público do Rio (MPRJ), depois do prazo referido, o órgão informou as delegacias onde o sargento trabalhou, no entanto, ficaram faltando os nomes dos outros colegas da PM que ficaram como adidos em sua equipe. Adido significa que o agente é emprestado a outro órgão.

As duas promotoras decidiram pedir o afastamento da Força-Tarefa do Caso Marielle (FTMA) após ficarem alijadas das tratativas do termo de colaboração de Júlia Lotufo, a viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, no último mês. A negociação com a mulher está sendo conduzida pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), núcleo da Polícia encarregado de investigações de atribuição do procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos.

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