Caso Marielle: Justiça bloqueia bens de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz avaliados em quase R$ 2,8 milhões

Rafael Nascimento de Souza
Ronnie Lessa foi preso no dia 12 de março de 2019. Dois dias depois, investigadores acreditam que armas tenham sido jogadas no mar, numa ação liderada pela esposa do PM reformado

RIO — A Justiça do Rio bloqueou e sequestrou os bens do policial militar reformado Ronnie Lessa e do ex-PM Élcio Queiroz, acusados de serem os assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018. Os bens da dupla estão avaliados em mais de R$ 2,8 milhões. A Justiça também bloqueou diversas contas da dupla. Além disso, o Judiciário fluminense determinou a quebra de sigilo de outras quatro pessoas suspeitas de atuarem como "laranjas" de Ronnie e Élcio.

O pedido dos bloqueios foi pedido pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DGCOR) e Grupo Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Gaeco) e aceito pela Justiça no começo da noite desta terça-feira.

Entre os bens de Lessa apreendidos pela Justiça, estão: uma casa no condomínio Vivendas da Barra — onde o presidente Jair Bolsonaro também mora — e que está avaliada em mais de R$ 1,2 milhão; um terreno no condomínio Porto Galo, em Angra dos Reis, que foi adquirido por mais de R$ 500 mil; um sítio em Mangaratiba, avaliado em R$ 300 mil; uma lancha que custa cerca de R$ 450 mil; um veículo de luxo de R$ 70 mil. além do dinheiro encontrado na casa de Ronnie (R$ 61 mil) e outros R$ 50 mil achados na casa dos pais de Lessa.

Os bens de Élcio bloqueados ainda não foram divulgados.

Três laranjas

Já Alexandre Mota — amigo de Lessa e que foi encontrado com 117 fuzis M-16 incompletos — e Eliane Pereira Figueiredo Lessa, mulher do policial reformado e o irmão dela, Bruno Figueiredo, tiveram a quebra de sigilo bancário determinada pela 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital. Eles seriam os "laranjas" de Ronnie e Élcio. A partir de agora, a polícia vai investigar as contas bancárias de Mota, Eliane e Bruno. Os três chegaram a serem presos e depois foram liberados.

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De acordo com investigadores do DGCOR, o patrimônio de Lessa, encontrado em duas investigações, não é compatível com a renda de um policial reformado, que é de R$ 7 mil. Segundo fontes da Polícia Civil, o dinheiro de Lessa é oriundo de atividades ílicitas, como o comércio de armas e assassinatos.

O GLOBO ainda não conseguiu contato com a defesa dos citados.