Caso Marielle terá novo promotor interino como responsável temporário das investigações

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RIO — Após as promotoras titulares do Caso Marielle pedirem para deixar a investigação, alegando interferências externas, o Ministério Público do Rio designou, temporariamente, o promotor Bruno Gangoni como responsável pela força-tarefa. Coodenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Gangoni só ficará à frente das investigações até que seja definido um promotor definitivo.

A informação foi veiculada pela TV Globo, no RJTV, e confirmada pelo GLOBO. Segundo o MPRJ, a nomeação será publicada no Diário Oficial desta segunda (19), e Gangoni atuará no "acompanhamento dos processos judiciais e procedimentos extrajudiciais criminais de atribuição da força-tarefa que investiga o caso Marielle Franco e Anderson Gomes". Assim, ele receberá "eventuais intimações e cumprimento dos prazos processuais até que sejam anunciados os novos nomes". O MPRJ, porém, não informou se há um tempo definido para escolha de um novo promotor.

Há uma semana, as promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile foram exoneradas da força-tarefa, a pedido. Elas não falaram publicamente sobre a decisão, mas, conforme mostrou O GLOBO, o motivo teria sido o risco de interferências externas, que poderiam comprometer as investigações. 

No centro da questão, está a negociação de delação premiada da viúva do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, Júlia Lotufo, que estaria disposta a denunciar pistas do mandante do assassinato de Marielle e Anderson, além de nomes do crime organizado, especialmente do núcleo de contravenção em que Adriano, morto na Bahia em fevereiro do ano passado, atuava. A proposta veio da Polícia Civil do Rio, e foi apresentada ao procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos.

Mas as insatisfações ocorreram porque as duas promotoras, que estavam à frente do caso desde setembro de 2018, seis meses após o crime, teriam sido alijadas, bem como o titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Moysés Santana, das negociações. O processo foi redirecionado ao promotor que atua na 1ª Vara Especializada Criminal, onde a viúva do ex-capitão responde por associação criminosa e lavagem de dinheiro. Além disso, as promotoras acreditariam que as informações dadas pela viúva não seriam úteis.

Nessa semana, as famílias de Marielle e de Anderson, que se queixaram da troca na investigação, se encontraram com o procurador geral Luciano Mattos e cobraram respostas.

Esposa de Ronnie Lessa é solta

Outra decisão envolvendo o caso Marielle foi a soltura de quatro pessoas acusadas de ocultar o arsenal de armas de Ronnie Lessa, preso acusado de ser executante dos assassiantos. Sua esposa, Elaine Lessa, seu cunhado, Bruno Figueiredo (irmão de Eilane), e seus amigos Marcio Montavano e Josinaldo Freitas teriam elaborado e executado o plano, segundo o MPRJ, de jogar as armas de Lessa no mar, um ano após o crime. As armas usadas no assassinato nunca foram encontradas.

Os quatro foram condenados, na semana passada, a quatro anos de prisão em regime aberto, pelo crime de destruição de provas. Por isso, houve a expediçao dos alvarás de soltura. Também condenado, Ronnie Lessa é o único do bando que permanece preso.

O MPRJ infrmou que vai se manifestar sobre "eventual recurso após ser notificado formalmente da sentença".

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