Quem assassinou Marielle? PM mentiu ao acusar miliciano como mandante

Mais de um ano após assassinato de Marielle Franco, crime segue com diversas incógnitas (AP Foto/Silvia Izquierdo)

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira admitiu ter mentido ao entregar o miliciano Orlando Curicaca como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco nesta sexta-feira (31).

Ferreirinha, como é conhecido, foi preso em uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro, e admitiu o falso testemunho de quando foi pego em operação da Polícia Federal.

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Segundo o policial, ele incriminou Curicaca em 2018, dois meses após o duplo homicídio, por vingança. Ambos disputavam uma central clandestina de TV a cabo.

A advogada de Ferreirinha diz que ele mentiu por se sentir pressionado pelos agentes que conduziram o interrogatório. A PF concluiu que Ferreirinha e sua advogada fazem parte de uma organização criminosa que tem como objetivo de impedir a elucidação do Caso Marielle. A defensora nega ter cometido qualquer ato ilegal.

o passo a passo do esquema

O policial militar conta que procurou o ex-inspetor da Polícia Civil, Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho. O inimigo de Curicica pela disputa do controle de uma milícia, segundo a PF, teria apresentado Ferreirinha ao agente federal aposentado Gilberto Ribeiro da Costa e ao delegado da PF Hélio Khristian Cunha de Almeida.

O último o conduziu para prestar depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital, órgão da Polícia Civil do Rio que investiga a morte da vereadora e do motorista.

Gilberto Ribeiro da Costa, por sinal, trabalhou no gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e deputado estadual por quadro Mandatos pelo MDB, Domingos Brazão. Ele também é investigado por envolvimento no caso.

Tanto Gilberto, como Hélio Khristian e Brazão negam qualquer envolvimento ou problema para atrapalhar a investigação.

Investigação deve continuar

A versão de Ferreirinha quase isenta os demais citados na investigação, mas não foi totalmente aceita pelo Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal.

A última, inclusive, apontou o indiciamento de alguns investigados, mas as promotoras do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) aguardam as provas da quebra de sigilo dos telefonemas e buscas na internet para concluir a denúncia.

Falso testemunho incriminou miliciano e vereador

No dia 14 de março de 2018, Ferreirinha incriminou Curicica e o vereador Marcelo Sicilliano (PHS) como mandantes do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Após negar envolvimento, Curicica, que estava preso no Rio e foi transferido para o presídio federal de Mossoró (RN), afirmou em depoimento ao MPF que a Polícia Civil do Rio tentou convencê-lo de assumir a culpa. Ele revelou um esquema de corrupção na DH que barraria investigações envolvendo jogo do bicho e milícias.

A denúncia foi determinante para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinasse a entrada da PF no caso.