Caso Moïse: 'Meu filho era um preto refugiado. Não tem o que comemorar', diz mãe de congolês

A celebração pelo Dia Mundial do Refugiado, nesta segunda-feira, não trouxe boas lembranças para a família do congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte na orla da Barra da Tijuca, em 24 de janeiro deste ano. A mãe da vítima, a comerciante Lotsove Lolo Lavy Ivone, que buscou refúgio no Brasil para escapar da guerra civil e de violações de direitos humanos em seu país de origem, a República Democrática do Congo, disse que não tem motivos para comemorar a data. Segundo ela, não há um dia sequer que não se lembre das imagens flagradas pelas câmeras de um quiosque, nas quais Moïse aparece sendo torturado, inclusive com pedaços de pau e um taco de beisebol.

— Hoje (segunda-feira) é um dia muito difícil para mim e minha família. Meu filho era um preto refugiado. Não tem o que comemorar neste Dia do Refugiado. Fugimos do Congo para sobreviver. Escolhemos o Brasil, adotamos essa terra que matou meu filho. Isso é muito triste. Os imigrantes precisam ser respeitados — afirmou Ivone.

Na próxima sexta-feira, quando o crime irá completar cinco meses, ela já prevê que será mais um dia difícil em sua vida. Embora não haja um dia sequer que não se sinta triste, Ivone ressaltou que "serão cinco meses sem o filho". Para piorar, segundo ela, os outros quatro filhos continuam desempregados. O quiosque no Parque de Madureira, na Zona Norte, prometido pela prefeitura, ainda está na fase de regularização. Segundo a mãe de Moïse, a data de inauguração já foi adiada várias vezes, mas tem esperanças que no próximo dia 2 de julho, ela já esteja oferecendo comidas típicas do Congo no estabelecimento, que manterá a memória de Moïse viva.

A Secretaria Municipal de Fazenda informou que o processo para a entrega do quiosque à família está sendo finalizado e será realizado em breve, por meio da permissão de uso de um quiosque no Parque Madureira. A assessoria comunicou ainda que "não há nenhuma obrigação quanto aos produtos a serem comercializados".

A República Democrática do Congo é classificada como um país com o mais alto nível de emergência humanitária pela ONU. Em 2011, Moïse e outros três irmãos escolheram o Brasil para se refugiar. Três anos depois, os quatro trouxeram a mãe. Um dos filhos, Djodjo Kabagambe, também não vê motivos para comemorar o Dia Mundial do Refugiado:

— Essa data nos lembra meu irmão. Na verdade, essa data não tinha que existir no Brasil, porque nós refugiados somos maltratados aqui neste país, ainda mais por sermos africanos. Queremos uma oportunidade de emprego, de uma vida melhor. Isso não existe aqui — lamentou o irmão de Moïse.

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