Caso Moïse: dono de quiosque cedido à família do congolês diz que não sairá do local

Caso Moïse: dono de quiosque cedido à família do congolês diz que não sairá do local (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Caso Moïse: dono de quiosque cedido à família do congolês diz que não sairá do local (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
  • Caso Moïse: dono de quiosque cedido à família do congolês diz que não sairá do local

  • Congolês de 24 anos foi espancado e morto no dia 24 de janeiro

  • Segundo a Prefeitura do Rio, a concessão vai valer até fevereiro de 2030

O aposentado Celso Carnaval, de 81 anos, afirmou ao portal UOL que não vai ceder o quiosque Biruta à família de Moïse Kabagambe.

O congolês Moïse foi espancado e morto no dia 24 de janeiro. Na segunda-feira (7), a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a cessão imediata do quiosque Tropicália — onde ocorreu o crime —, mas admitiu a pendência em relação ao Biruta.

O jovem chegou a trabalhar nos dois locais, que são vizinhos e estão localizados na Barra da Tijuca, na zona Oeste da capital fluminense.

"Não vou sair. Estive conversando com algumas pessoas, e a orientação que tive é deixar rolar. Estou naquele ponto desde 1978 e não vou abandoná-lo", disse ao portal.

De acordo com apurações do UOL, em julho do ano passado, a concessionária Orla Rio, que administra 309 quiosques, entrou com uma ação de reintegração de posse na Justiça, mas ainda não houve decisão no processo.

À imprensa, a Orla Rio afirmou que "primeiro vai começar a estruturar o projeto no quiosque onde funcionava o Tropicália".

"A concessionária só dará início à segunda fase [no Biruta] junto à família de Moïse, quando tiver conseguido reaver a posse". "Enquanto isso, a empresa aguarda o andamento do processo na Justiça.”

Segundo a Prefeitura do Rio, a concessão vai valer até fevereiro de 2030.

O crime

As agressões começaram após Moïse, um homem negro, ter cobrado dois dias de pagamento atrasado do dono do quiosque. Seu corpo foi encontrado amarrado em uma escada.

O momento da agressão foi gravado por câmeras de segurança do próprio quiosque e de um condomínio localizado na Avenida Lúcio Costa

A perícia realizada no corpo de Moïse constatou que a causa da morte foi traumatismo do tórax, com contusão pulmonar, causada por ação contundente. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) atesta que os pulmões da vítima apresentavam áreas hemorrágicas de contusão e vestígios de broncoaspiração de sangue.

Quem era o jovem Moïse

O jovem nasceu no Congo, em África. Se mudou para o Brasil em 2014 junto com a mãe e os irmãos, fugindo da guerra e da fome. Trabalhava em um quiosque no Posto 8 da capital fluminense, na Barra da Tijuca, por diárias.

“Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça”, disse Ivana Lay, mãe de Moïse, ao portal G1.

Para sua mãe, o crime teve motivação racista.