Caso Patrícia Amieiro: Justiça do Rio decidirá nesta quinta se crime terá novo julgamento

RIO — A Justiça do Rio vai analisar nesta quinta-feira um recurso da família de Patrícia Amieiro — engenheira que desapareceu em 2008 após o carro ter sido alvo de tiros por policiais militares — solicitando que o caso seja submetido novamente a júri popular. O pedido foi apresentado em janeiro do ano passado, meses após o surgimento de uma nova testemunha do crime, que decidiu se manifestar 12 anos após o desaparecimento da engenheira.

Conforme a defesa da família de Patrícia, a apelação será julgada pela Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na sessão marcada para às 13h e a relatora será a desembargadora Elizabeth Alves de Aguiar.

— Pode ser nossa última chance de se fazer Justiça. Se o caso não for a júri popular de novo, acabou — ressaltou o irmão da vítima, Adryano Amieiro.

Em dezembro de 2019, odois PMs envolvidos no caso foram absolvidos da acusação de homicídio. Outros dois foram condenados apenas pelo crime de fraude processual.

Relembre o caso

Patrícia tinha 24 anos quando desapareceu voltando de uma festa no Morro da Urca, na Zona Sul do Rio, em 14 de junho de 2008. Ela ia em direção à sua casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Na saída do Túnel do Joá, o carro dirigido pela engenheira foi alvo de uma série de disparos de arma de fogo. Os policiais Marcos Paulo e William Luís alegaram ter atirado por acreditarem que o motorista do carro era um traficante.

Ainda segundo a polícia, com os tiros, Patrícia perdeu o controle do veículo, que colidiu em dois postes e uma mureta. O carro da engenheira foi encontrado na beira do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, com o vidro traseiro quebrado e o porta-malas aberto. O corpo da jovem nunca foi encontrado. Para a polícia e o Ministério Público, o corpo foi retirado do veículo e o carro jogado no canal pelos policiais para impedir que o homicídio fosse descoberto.

Em 2011, a Justiça declarou a morte de Patrícia, alegando que, além de possuir vínculos estreitos com a família — eliminando a possibilidade de ela ter sumido espontaneamente — a situação em que o carro da jovem foi encontrado eliminava qualquer chance de que ela tivesse saído viva do veículo.

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