Caso Patrícia Amieiro: Justiça do Rio decidirá nesta quinta se crime terá novo julgamento

A Justiça do Rio vai analisar nesta quinta-feira um recurso da família de Patrícia Amieiro — engenheira que desapareceu em 2008 após o carro ter sido alvo de tiros por policiais militares — solicitando que o caso seja submetido novamente a júri popular. O pedido foi apresentado em janeiro do ano passado, meses após o surgimento de uma nova testemunha do crime, que decidiu se manifestar 12 anos após o desaparecimento da engenheira.

Conforme a defesa da família de Patrícia, a apelação será julgada pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na sessão marcada para as 13h e a relatora será a desembargadora Elizabeth Alves de Aguiar.

— Pode ser nossa última chance de se fazer Justiça. Se o caso não for a júri popular de novo, acabou — ressaltou o irmão da vítima, Adryano Amieiro.

Em dezembro de 2019, dois PMs envolvidos no caso foram absolvidos da acusação de homicídio. Outros dois foram condenados apenas pelo crime de fraude processual por terem modificado a cena do crime e autorizados a recorrer em liberdade. A defesa acredita que eles responderão por homicídio se júri for anulado.

A nova testemunha do caso é um taxista que afirma ter visto a engenheira sendo retirada do próprio carro com vida por policiais militares que atiraram contra o veículo. O homem diz ter ficado em silêncio durante anos por medo, mas decidiu se manifestar após ouvir em uma rádio uma mensagem sobre o papel do cidadão. No depoimento, ele conta que viveu com um "peso na consciência" e se arrepende por não ter testemunhado e "causado sofrimento à família da vítima".

Ao Ministério Público do Rio (MPRJ), o taxista contou que havia encerrado uma corrida em São Conrado, na Zona Sul, e seguia para a Zona Oeste quando presenciou o carro de Patrícia, um Palio, passando em alta velocidade no Elevado do Joá. Logo depois, disse ter ouvido diversos disparos de arma de fogo vindos de uma viatura da Polícia Militar. Em seguida, ele narra que o veículo perdeu o controle, sofreu colisões e caiu do viaduto.

A testemunha disse ainda que parou o seu carro a poucos metros do local e viu o veículo atingido capotado. Dois policiais com fuzis seguiram naquela direção, um deles correndo. Outra viatura chegou ao local na sequência. Depois, um dos PMs puxou alguém pelo braço para fora do veículo. Ele caiu em seguida e tentou novamente puxar a pessoa. Nessa hora, o taxista viu uma jovem, loira, com sangue no rosto. Ela mexeu os braços, tentando limpar os ferimentos. Um policial teria colocado as mãos na cabeça, expressando desespero, enquanto outro agente dizia: "calma, que a gente vai resolver". Por fim, a testemunha afirmou que saiu do local achando que a moça seria socorrida pelos policiais.

Patrícia tinha 24 anos quando desapareceu voltando de uma festa no Morro da Urca, na Zona Sul do Rio, em 14 de junho de 2008. Ela ia em direção à sua casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Na saída do Túnel do Joá, o carro dirigido pela engenheira foi alvo de uma série de disparos de arma de fogo. Os policiais Marcos Paulo e William Luís alegaram ter atirado por acreditarem que o motorista do carro era um traficante.

Ainda segundo a polícia, com os tiros, Patrícia perdeu o controle do veículo, que colidiu em dois postes e uma mureta. O carro da engenheira foi encontrado na beira do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, com o vidro traseiro quebrado e o porta-malas aberto. O corpo da jovem nunca foi encontrado. Para a polícia e o Ministério Público, o corpo foi retirado do veículo e o carro jogado no canal pelos policiais para impedir que o homicídio fosse descoberto.

Em 2011, a Justiça declarou a morte de Patrícia, alegando que, além de possuir vínculos estreitos com a família — eliminando a possibilidade de ela ter sumido espontaneamente — a situação em que o carro da jovem foi encontrado eliminava qualquer chance de que ela estaria viva.

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