Caso Renato Russo: diretor da Universal Music vai depor sobre fitas apreendidas

O Globo
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RIO - A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) ouve na tarde desta quarta-feira Afridsman Muzzy neto, diretor financeiro a administrativo da Universal Music Brasil. Ele representa a gravadora diante da operação Tempo Perdido, coordenada pelo delegado Maurício Demétrio, que na quarta da semana passada apreendeu gravações do cantor e compositor Renato Russo no depósito Iron Mountain, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Foram recolhidas 91 fitas que, segundo a polícia, contêm material inédito do artista e que serão entregues ao filho e herdeiro de Renato, Giuliano Manfredini.

Detentora dos fonogramas de Renato e do seu grupo, a Legião Urbana, a Universal disse então, em nota, ter sido "surpreendida com este mandado de busca e apreensão em seu arquivo de tapes" e que "está providenciando acesso ao IP para ter conhecimento do que se trata para tomar as medidas legais cabíveis." A ação também despertou críticas de Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana.

Tempo Perdido é a continuação da Operação Será, que em outubro foi atrás de material inédito que estaria de posse de produtores musicais que trabalharam com Renato Russo.

Na ocasião, a polícia foi à casa do pesquisador Marcelo Fróes, amigo de Renato Russo, ex-representante artístico da sua família junto à gravadora EMI e produtor de três álbuns póstumos seus. Agentes apreenderam HDs, computador e celular de Fróes e alegaram ter encontrado um relatório que daria conta da suposta existência de pelo menos 30 músicas em versões inéditas gravadas pelo artista, morto em 1996. Este relatório foi utilizado como base para a Tempo Perdido.

Segundo o pesquisador, em entrevista ao GLOBO, a apreensão não fazia o menor sentido, já que o tal relatório teria sido entregue por ele, em 2003, à família de Renato, à banda e à EMI, gravadora da Legião Urbana. Dias depois da apreensão, ele prestou depoimento na DRCPIM, na condição de testemunha.

A Operação Será teve sua origem em acusações relatadas em notícia-crime de 2016 por Giuliano Manfredini, na época referentes a Ana Paula Ulrich Tavares, pseudônimo que o fã Josivaldo Bezerra da Cruz Junior usava para ser um dos administradores da página Arquivo Legião no Facebook. Ele era investigado por “tentativa de estelionato, violação de direito autoral e, possivelmente, receptação”, relativos a material inédito de Renato Russo.