Caso Saul Klein: "Todas temem a figura deste homem", diz psicóloga responsável pelo acolhimento de vítimas

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
Saul Klein, filho de fundador da Casas Bahia
Saul Klein, filho de fundador da Casas Bahia

A defesa de Saul Klein, herdeiro das Casas Bahia acusado de aliciamento e estupro, alega que as relações entre o empresário e as mulheres que frequentavam a casa dele eram consensuais. A afirmação é negada categoricamente pelas voluntárias que estão ligadas à denúncia e fizeram o acolhimento das vítimas.

Katia Rosa, psicóloga e líder da área de psicologia do Justiceiras, grupo que atende as vítimas, explica que havia um aliciamento das vítimas e nega a consensualidade das relações. “Todas as vítimas afirmam que não concordavam com nenhum tipo de ato sofrido. Todas as vítimas afirmam, pelo menos nas denúncias feitas a nós, que elas nunca concordaram com nenhum tipo de situação que elas sofreram. Que elas tinham extrema violência psicológica e que elas se sentiam coibidas, ameaçadas e amedrontadas. Caso elas não fizessem aquilo que era pedido, elas tinham muito medo daquilo que podia ser feito. Todas temem a figura deste homem.”

De acordo com a psicóloga, as vítimas tampouco tinham a liberdade de saíram do esquema quando queriam, como alega a defesa de Klein.

“Essas vítimas não voltavam conforme queria, elas eram aliciadas, elas eram chamadas a fazer fotografias para algum tipo de desfile, algum tipo de projeto de mídia, porque a maioria era ou modelos, todas meninas novas e bonitas. Quando elas chegavam para fazer algum tipo de teste, algum tipo de foto, elas eram convencidas a participar de festas e convites para eventos que ele fazia na casa dele. A partir de então, elas entravam em um forte esquema de efeito coibitivo”, explica.

Leia também

Segundo Katia Rosa, a dependência psicológica fazia com que elas tivessem dificuldades de saíram do esquema. “O que leva elas a ficarem nessa situação é a dependência psicológica. A grave dependência psicológica que elas já começavam a sofrer a partir do momento que, infelizmente, entravam nesse esquema.”

A psicóloga ainda descreve que a situação das vítimas é frágil e, provavelmente, elas levarão anos para se recuperarem da violência sofrida. No entanto, a denúncia já é um passo importante.

“A partir do momento em que elas se unem de alguma forma para fazer uma denúncia, já é um primeiro e grande passo para a busca da retomada da saúde mental delas. Como líder nacional da psicologia, eu posso afirmar que todas estavam muito fragilizadas. Elas foram atendidas pelas voluntárias da psicologia e todas estavam muito fragilizadas, ainda estão. Mas, a denúncia já é o primeiro passo para a retomada da saúde mental, muito abalada. E essas moças, mesmo tomando esses primeiros passos, elas vão precisar de tratamento a longo prazo para que elas retomem a autoconfiança, a dignidade, a força do viver, do trabalho, do conduzir um relacionamento novo”, explica.

Katia esclarece que, se não confiassem no que dizem as vítimas, não participariam do acolhimento delas. O Justiceiras é um grupo de voluntárias que luta contra a violência contra a mulher. Há atendimento psicológico e jurídico para as sobreviventes.

A defesa de Saul Klein afirma que o empresário era um “sugar daddy”. Em nota à imprensa divulgada no último domingo, a representante jurídica do grupo, Gabriela Souza, nega que essa fosse a relação entre as partes.