Casos de Covid-19 aumentam na China e cidade de Guangzhou resiste a lockdown

Teste de Covid-19 em Xangai

PEQUIM (Reuters) - O surto de Covid-19 na China continuou crescendo nesta quinta-feira, com o número de novos casos mais alto desde abril e as autoridades da metrópole de Guangzhou, no sul, pedindo aos moradores que trabalhem em casa, mas evitando um lockdown em toda a cidade.

A retomada das infecções por Covid-19 e a resposta agressiva da China a elas estão causando restrições para residentes e empresas em cidades de todo o país e pesando nos mercados financeiros, inclusive para commodities globais.

Em Pequim, os organizadores do principal salão do automóvel da China disseram que o evento, já adiado, não acontecerá este ano devido à situação da Covid-19 na capital, que registrou 95 novas infecções no dia anterior, ante 80 um dia antes.

Embora os números de infecção da China sejam baixos para os padrões globais - novos casos domésticos subiram para 8.824 na quarta-feira -, o país continua mantendo sua abordagem de Covid-zero, alimentando a frustração pública generalizada e causando danos à segunda maior economia do mundo.

Em Guangzhou, que abriga cerca de 19 milhões de pessoas, os casos atingiram mais de 2.000 pelo terceiro dia consecutivo e as autoridades estabeleceram testes em massa, resistindo por enquanto a um lockdown em toda a cidade do tipo que paralisou Xangai por dois meses no início deste ano.

A maioria dos 11 distritos de Guangzhou está sob alguma forma de restrição à Covid-19.

Na semana passada, os preços das ações chinesas dispararam na esperança de que a China começasse a diminuir as restrições à Covid-19, mas Pequim continua reiterando seu compromisso com o que é uma política assinada pelo presidente Xi Jinping que as autoridades argumentam que salva vidas.

A China ainda precisa definir uma estratégia de flexibilização ou montar o tipo de nova campanha de vacinação massiva que os especialistas dizem ser necessária antes que possa começar a se abrir, com muitos dizendo que é improvável que o país comece a flexibilizar até a primavera (no hemisfério norte), no mínimo.

(Reportagem de Bernard Orr e Ryan Woo em Pequim e Josh Ye em Hong Kong)