Casos de Covid-19 caem 95,8% em quem toma duas doses da vacina da Pfizer, diz Israel

O Globo
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JERUSALÉM — A taxa de infecções pela Covid-19 caiu 95,8% entre as pessoas que receberam as duas vacinas da Pfizer, segundo anúncio do Ministério da Saúde de Israel feito neste sábado.

A vacina também foi 98% eficaz na prevenção de infecções que causavam febre ou problemas respiratórios e 98,9% na prevenção de hospitalizações e morte, disse o ministério.

As conclusões foram baseadas em dados coletados nacionalmente até 13 de fevereiro de israelenses que receberam sua segunda dose pelo menos duas semanas antes. De acordo com o site do Ministério da Saúde, cerca de 1,7 milhão de pessoas receberam a segunda dose até 30 de janeiro, tornando-as elegíveis para serem incluídas.

Relatórios anteriores de centros de saúde também mostraram resultados positivos, estimulando Israel a remover as restrições após semanas de lockdown. No domingo, escolas e muitas lojas poderão reabrir.

O Ministério da Saúde também lançou um aplicativo "Green Pass", vinculado a arquivos médicos pessoais, em que as pessoas que foram totalmente vacinadas ou consideradas imunes após a recuperação da Covid-19 podem mostrar para ficar em hotéis ou participar de eventos culturais ou esportivos.

A vacina da Pfizer/BioNTech teve uma taxa de eficácia de 95% em testes clínicos. Mas os pesquisadores alertaram em novembro que esses números poderiam não se sustentar na prática. Pessoas que se voluntariam para ensaios muitas vezes não representam a população como um todo. Além disso, o imunizante é difícil de administrar em grande escala porque deve ser mantido em temperaturas muito baixas (-75C) até pouco antes de ser administrado. Com os resultados obtidos em Israel, essa eficácia se comprova na prática.

Líder mundial

Israel lidera o mundo na vacinação de seus cidadãos. Até agora, mais de um terço de sua população de mais de nove milhões de pessoas recebeu a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech.

O grupo prioritário era composto pelos cidadãos com mais de 60 anos, uma faixa etária responsável por 95% das mais de 5 mil mortes por Covid-19 no país. De acordo com o Ministério da Saúde do país, 84% dessa faixa etária já foi vacinada.

Como um país relativamente pequeno com um sistema de saúde universal altamente digitalizado, Israel se tornou um campo de testes atraente para a Pfizer. Como resultado, fez um acordo com a farmacêutica, oferecendo dados disecados da imunização em troca de um fornecimento constante de vacinas.

Apesar de seu sucesso, Israel estendeu seu terceiro lockdown nacional no último dia 4, após aumento no número de casos.

Ainda assim, os pesquisadores encontraram esperança na capacidade da vacina de reduzir rapidamente os casos entre israelenses imunizados.

— Estou bem convencido de que estamos vendo os efeitos reais da vacinação em nível populacional — disse William Hanage, epidemiologista da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, que não participou do estudo israelense.

O nível de contágio da variante B.1.1.7 pode ser parcialmente culpado pelo crescimento dos casos, junto com a menor conformidade com o lockdown atual em comparação com os anteriores. E a maioria dos palestinos ainda aguarda vacinas, deixando a eles e aos israelenses menos protegidos.

Enquanto o mundo corre para conter o vírus antes que as mutações mais perigosas se espalhem, a escassez de vacinas ainda pode impedir, apesar das boas notícias trazidas pelos estudos, que outros países reproduzam com celeridade o sucesso de Israel.