Casos de dengue aumentam no Rio, e especialista alerta para risco de novo surto da doença

Está aberta a temporada de verão e, com ela, o calor, as chuvas e também a companhia indesejada e famosa dos mosquitos. Com o aumento de casos de dengue, principalmente na Zona Oeste, especialistas ligaram o sinal de alerta e passaram a reforçar medidas de combate, nem sempre seguidas pelos cariocas. A preocupação não é infundada: a cidade do Rio de Janeiro encerrou 2022 com um aumento de 414% no número de casos em relação a 2021.

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Mesmo assim, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirma que apesar do aumento de casos, não há possibilidade de uma epidemia de dengue na cidade. O "projeto verão" de combate ao foco do Aedes aegypti já foi iniciado pela prefeitura que, desde o ano passado, contratou cerca de 7,5 mil agentes de saúde que realizaram dez milhões de visitas e destruíram 1,7 milhão de focos do mosquito na capital, segundo o secretário.

— É muito importante informar a população. A dengue é um problema muito grave para cidade do Rio de Janeiro. A gente já teve três grandes epidemias e, agora, tem um novo sorotipo circulando: a dengue tipo 2 — alertou o secretário, chamando atenção para o bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste, que lidera o ranking de maior incidência da doença.

— Santa Cruz foi onde a gente teve o maior número de casos. A Zona Oeste é a área de maior preocupação, mas a dengue é um problema de toda a cidade do Rio. Todos os moradores precisam estar atentos, inclusive moradores de apartamento. Foram encontrados mais focos em lixo em quintais, garrafas e caixas d’água — pontuou Soranz.

No estado, segundo a Secretaria de estado de Saúde (SES), "em 2022, foram registrados 11.400 casos da dengue e 16 óbitos pela doença no estado, contra 2.882 casos e 4 óbitos, em 2021. Em 2019, foram registrados 32.514 casos de dengue". Ainda na nota, a secretaria informou que "realizou recentemente uma ampla campanha publicitária alertando a população e reforçando a estratégia dos 10 minutos semanais para eliminar focos do mosquito".

Alerta de precaução

O professor e epidemiologista da UFRJ Marcos Lago explica que é natural, em 2023, que a cidade do Rio venha sofrer um novo surto de dengue, já que o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti costuma se proliferar em ciclos com intervalos de 3 a 6 anos. Desde a série histórica, o município teve epidemias de dengue em 1986, 1991, 2002, 2008 e 2012.

— A população do Rio é muito dinâmica. Ou seja, ela muda e fica suscetível a ter dengue de novo. Nascem novas crianças, pessoas idosas morrem, o cenário vai mudando. Isso significa que todo mundo pode vir a se contaminar ao menos uma vez pelo vírus da dengue. No entanto, os cidadãos ficam um período imune, cerca de 3 ou 4 anos, e depois voltam a perder imunidade, podendo ser contaminada por outros tipos do vírus. É raro casos em que a pessoa tem dengue tipo 2, por exemplo, e se contamina novamente com o mesmo tipo— detalha Lagos.

Segundo o especialista, a série histórica do Aedes aegypti permite que as autoridades sanitárias criem um cronograma de planejamento de combate à doença. Fruto da parceria entre a prefeitura do Rio e a Fiocruz, a World Mosquito Program (WMP) desenvolveu o método Wolbachia, que consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito, contribuindo para a redução da transmissão do vírus.

— Eu acho o projeto muito promissor, e vale a pena investir. A ideia dele é maravilhosa porque ajuda a reduzir a proliferação do mosquito da dengue. Mas isso não descarta a prevenção tradicional da população: evitar acumulo de água limpa e usar repelente, já que o mosquito costuma atacar de dia — explica.

As liberações de mosquitos com Wolbachia, segundo a prefeitura, foram iniciadas no Rio em 2015 em Tubiacanga, na Ilha do governador, e expandidas até alcançar os 28 bairros da Zona Norte. Segundo o secretário de Saúde, a ideia é que o projeto, com apoio do Ministério da Saúde, avance para toda a capital.

— Um em cada três pacientes que se infectam com o vírus da dengue tem foco de mosquito em casa. Por isso, o assunto será uma das prioridades para ser tratada junto ao ministério este ano — afirmou Daniel Soranz.

Métodos de combate à doença

As iniciativas para combater a dengue são voltadas exclusivamente para diminuir a reprodução do agente transmissor da doença, o mosquito Aedes aegypti. Para depositar seus ovos, o inseto utiliza água parada. Portanto, os métodos envolvem verificar lugares onde pode haver recipientes com líquidos, como caixas d’água abertas, vasos de plantas, garrafas e pneus, e eliminar o acúmulo. Além disso, não deixar concentrar o lixo e utilizar repelente em áreas de grande exposição a mosquitos são formas eficientes de evitar a doença.