Casos diários de Covid -19 no Rio saltam de 21 para mais de 450 em duas semanas

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RIO — A quantidade de casos confirmados de Covid-19 na cidade do Rio teve um grande salto nas últimas semanas. Dados do painel da prefeitura do Rio mostram que, até o momento, 21 pessoas diagnosticadas com coronavírus disseram ter começado a sentir sintomas no dia 14 de dezembro. Já em 28 de dezembro, duas semanas depois, o número salta para 458.

Os dados mais recentes podem ser ainda maiores, já que esse é o número de pessoas que até essa segunda-feira já foram inseridas no sistema após procurarem uma unidade de saúde da capital e que relataram ter começado a sentir os sintomas da doença no dia 28.

O Rio não confirmava tantos de Covid-19 casos pelo início dos sintomas desde o dia 20 de setembro, quando 697 pessoas disseram ter começado a perceber os sinais da doença. Desde então os casos entraram em queda até atingir um patamar baixo de estabilidade.

Casos confirmados pelo início dos sintomas no Rio:

20 de setembro: 69720 de outubro: 15220 de novembro: 641º de dezembro: 7713 de dezembro: 1020 de dezembro: 6125 de dezembro: 22826 de dezembro: 31827 de dezembro: 44728 de dezembro: 458

A média móvel dos casos confirmados pelo início dos sintomas mostra a reversão desta tendência de estabilidade baixa. Em 20 de setembro, a média era de 558 pessoas e atingiu no dia 16 de dezembro o menor patamar: 16 casos. Mas desde então a curva apenas sobe, atingindo 296 casos no dia 29 de dezembro.

Somente nesta segunda-feira na cidade do Rio, a taxa de positividade para testes de Covid-19 foi de 13%. Ou seja, a cada 100 pessoas com sintomas da doença, 13 tiveram o diagnóstico confirmados. Este é um dos dados que indicam que o número de casos por data de início de sintomas deve aumentar nos próximos dias.

Até meados de dezembro, a taxa de positividade não ultrapassou 1%. Nesta segunda, no entanto, havia a expectativa de mais pessoas procurarem os postos para se vacinarem com a dose de reforço, mas isso não ocorreu.

— Percebemos um aumento da positividade dos testes. Já chegamos a ter 0,7%. Hoje tivemos um percentual parecido com o de três meses atrás. Das pessoas que testaram hoje, 34% foram a outros municípios passar o período de festas. Percebemos muito cariocas voltando para o Rio com sintomas de Covid-19. Isso era previsível de acontecer, e que teríamos a entrada da variante. Precisamos analisar se esse aumento vai se manter e vai causar impacto na internação. Não vemos aumento significativo de casos graves ou de internação. Na última semana, tivemos 72 horas sem óbitos por Covid e foi a semana com menor número de mortes de toda a pandemia — analisa o secretário municipal de Saúde Daniel Soranz.

Nos hospitais privados do município do Rio os novos casos de coronavírus também não se traduziram em uma maior pressão por leitos. Segundo Graccho Alvim, diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio, a maior partes dos internados são de não vacinados ou de imunizados apenas com a primeira dose:

— Vimos um aumento de pacientes com Covid na última semana, mas a maioria de casos leves. Vimos que muitos aglomeraram no final do ano e temo o que venha acontecer nas próximas semanas. Atualmente as áreas de Covid estão reduzidas e com internação baixa — destaca.

Efeitos do réveillon

Questionado sobre os efeitos das festas de réveillon na cidade, Daniel Soranz diz que ainda é cedo para analisar os efeitos da festa. O secretário ainda destaca que uma das principais frentes para combater a variante Ômicron é a dose de reforço. Há a expectativa que o Rio aplique em janeiro 800 mil doses de reforço. Atualmente a cidade do Rio está com cerca de 30% da população adulta com a terceira dose.

A prefeitura também já estuda quando vai implantar a cobrança da terceira dose no "passaporte da vacina", que atualmente vale para áreas cobertas em restaurantes, hotéis, academias e outros locais de usos coletivos:

— A primeira estratégia é a dose de reforço. Precisamos que o carioca vá fazer o reforço. Pedimos a todos que tenham completado 4 meses da segunda dose compareçam ao posto para se vacinar. Também queremos estimular as pessoas irem aos polos se testarem. Precisamos que as medidas restritivas que estão valendo continuem sendo cumpridas, como o uso obrigatório de máscaras em locais fechados, o que tá acontecendo muito pouco. Vamos intensificar a cobrança — afirma Soranz.

Diego Xavier, epidemiologista e pesquisador do Monitora Covid-19, avançar na vacinação também em crianças é primordial. O especialista, no entanto, acredita que o aumento de casos esteja apenas no começo:

—Tem muita gente que ainda vai viajar em janeiro para as férias e que se expõe muito. A tendência é ver esses números aumentando. Tudo o que não queremos é que daqui a dois, três meses ver que estamos atrasados de novo na vacinação.

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