Casos de feminicídio voltam a assustar o Estado do Rio, e estatísticas que preocupam

Ana Carolina Torres, Carolina Heringer e Marjoriê Cristine
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Menos de duas semanas depois de a juíza Viviane Vieira do Amaral ter sido assassinada a facadas pelo ex-marido na frente das três filhas, na Barra da Tijuca, novos casos de violência contra a mulher voltam a assombrar o Estado do Rio. Em 36 horas, três jovens foram vítimas de feminicídio na Penha, na Zona Norte da capital, e nas cidades de Paraty e Teresópolis. Na cidade da Região Serrana, Natália da Silva Fonseca de Souza, de 29 anos, foi morta a tiros em casa, na localidade de Jardim Feo, no bairro de Barra do Imbuí, na noite de segunda-feira, dia 4. O suspeito é seu ex-marido, Alexsandro Fonseca de Souza, que tentou se suicidar e está hospitalizado. Ele foi autuado em flagrante. No mesmo dia, quase 12 horas antes, uma adolescente de 14 anos não resistiu a disparos que teriam sido feitos por um ex-namorado em Paraty, na Costa Verde. E, na capital, a Polícia Civil investiga o desaparecimento de Bianca Lourenço, de 24: há a suspeita de que um traficante da Favela da Kelson’s mandou executá-la por ciúme.

Um levantamento do Instituto de Segurança Pública mostra que, em 2019, aconteceram 85 casos de feminicídio no Estado do Rio, um aumento de 19,7% em relação a 2018, que teve 71 registros. Os números de 2020 ainda não foram divulgados, mas o ano já ficou marcado por um assassinato que chocou todo o país. No Brasil, dados do Fórum de Segurança Pública mostram que, em 2019, mais de três mulheres foram vítimas de feminicídio por dia. Em apenas um ano, 1.326 famílias perderam uma mãe, uma filha, uma irmã, para esse tipo de crime. Em quase 90% dos casos, o assassino foi o companheiro ou o ex-companheiro da vítima.

De acordo com a juíza Adriana Mello, titular do 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, o Brasil vem fortalecendo o sistema de punição aos crimes contra as mulheres, mas ainda há carência de políticas de prevenção à violência e campanhas de conscientização. Segundo a magistrada, é necessária uma mudança de cultura para frear a violência contra as mulheres:

— O feminicídio faz parte de um ciclo de violência que a mulher sofre e do qual ela demora às vezes de sete a oito anos para sair. Às vezes, esse ciclo começa como uma violência psicológica e a mulher nem nota — diz a juíza.