Casos na Baixada Fluminense indicam que já pode haver transmissão comunitária da variante Delta do coronavírus no Rio

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Os dois moradores de cidades da Baixada Fluminense que foram infectados pela variante Delta do coronavírus não saíram do estado e dizem que não tiveram contato com pessoas que haviam viajado na época em que foram contaminados. Por isso, os casos em Seropédica e São João de Meriti são indícios de que já pode ter transmissão comunitária no Rio da cepa, que foi identificada inicialmente na Índia e hoje está em mais de 90 países.

— A transmissão provavelmente se deu aqui, mas ainda não dá para confirmar. Seria, no caso, transmissão comunitária — afirmou nesta terça-feira (6) o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.

A Secretaria estadual de Saúde (SES) divulgou na noite de segunda-feira a identificação dos dois casos da variante. Esses seriam os primeiros pacientes infectados pela Delta dentro do estado. Em maio, um morador de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, foi diagnosticado com Covid-19 causada por esta cepa do coronavírus, mas ele havia acabado de chegar da Índia, o que indica que, provavelmente, a sua contaminação aconteceu durante a viagem.

De acordo com a Prefeitura de São João de Meriti, o caso de infecção pela variante foi confirmado domingo, após pesquisa genômica aleatória realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ). A coleta do material do paciente ocorreu em 16 de junho. O morador, de 30 anos, já está curado e não transmite mais o vírus, segundo a Secretaria de Saúde.

A outra pessoa infectada pela Delta na Baixada é uma moradora de Seropédica, de 22 anos, que também já está curada. Ela mora com os pais e duas irmãs. A família está sendo monitorada, segundo a Secretaria municipal de Saúde.

Apesar de a mãe e uma das irmãs também terem tido Covid-19, apenas a jovem de 22 anos foi detectada a variante Delta, enquanto as outras foram infectadas pela linhagem P1, a mais comum no estado. O pai e a outra irmã da jovem não apresentaram sintomas.

— O que se faz agora é identificar possíveis casos associados a essas confirmações e, se houver amostra disponível, vamos promover o sequenciamento também para ver se existem outros casos secundários relacionados a esses dois casos — explicou Chieppe.

Os pacientes infectados pela variante Delta na Baixada Fluminense ainda não haviam tomado nenhuma dose de vacina contra a Covid-19. A aceleração da campanha de imunização é a melhor forma de impedir a disseminação de novas variantes do coronavírus no país, na opinião do infectologista Alberto Chebabo.

— Essa variante tem grande capacidade de disseminação, maior, inclusive, que as outras variantes. Outra preocupação é que ela tem impacto na eficácia das vacinas, principalmente quando só tem a primeira dose. É importante acelerar a campanha de vacinação — alerta o especialista, acrescentando que ainda não é possível afirmar se a Delta é mais letal, mas ela pode impactar potencialmente no número de mortes em uma população não vacinada. — Ela é mais transmissível, e isso pode aumentar a letalidade porque em uma população que não tomou a vacina há risco de ter mais gente necessitando de leitos de UTI, ventilação mecânica, por isso é importante vacinar.

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