Casos de sarampo aumentam 300% no mundo no início de 2019

Uma mulher recebe uma vacina em uma farmácia em São Francisco, nos Estados Unidos

Os casos de sarampo no mundo quadruplicaram durante os primeiros três meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira, acrescentando que na África o aumento foi de 700%.

"Até o momento, em 2019, 170 países relataram 112.163 casos de sarampo à OMS e, no ano passado, na mesma data, 28.124 casos de sarampo haviam sido registrados em 163 países, representando um aumento de quase 300% em escala global", disse a agência da ONU em um comunicado após afirmar que estes são números provisórios e ainda incompletos.

A OMS estima que menos de um em cada dez casos são relatados em todo o mundo, o que significa que o alcance da epidemia é muito maior do que indicam as estatísticas oficiais.

"Embora estes dados sejam provisórios (...), indicam uma tendência clara. Muitos países são vítimas de picos significativos de sarampo, e todas as regiões do mundo sofrem um aumento sustentado do número de casos", acrescentou a agência da ONU.

A África é a região mais afetada por este aumento, com uma elevação de 700% nos primeiros três meses do ano (em comparação anual), seguida pela Europa (+300%), o Mediterrâneo Oriental (+100%), as Américas (+60%) e a região do Sudeste Asiático/Pacífico Ocidental (+40%).

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo e para a qual não há cura, mas pode ser prevenida com duas doses de uma vacina "segura e eficaz", segundo a OMS.

- Os 'antivacina' -

Até 2016, a doença estava em queda, mas está reaparecendo nos países ricos devido a uma desconfiança crescente em relação às vacinas, e nos países pobres devido à falta de acesso ao tratamento.

Segundo a OMS, os casos de sarampo dispararam na República Democrática do Congo, Etiópia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Madagascar, Mianmar, Filipinas, Sudão, Tailândia e Ucrânia, "causando muitas mortes, principalmente entre as crianças muito novas".

"Nos últimos meses, o número de casos também atingiu picos em países com alta cobertura geral de imunização, particularmente nos Estados Unidos, Israel, Tailândia e Tunísia, à medida que a doença se espalhou entre grupos de pessoas não vacinadas", explicou a OMS.

Em 2017, 110.000 mortes atribuídas ao sarampo foram registradas, de acordo com a OMS.

Nos países ocidentais, os "antivacina" se baseiam em uma publicação de 1998 que relaciona esta vacina ao autismo. No entanto, foi estabelecido que seu autor, o britânico Andrew Wakefield, havia falsificado seus resultados, e vários estudos demonstraram desde então que a vacina não aumenta esse risco.

A doença se manifesta por febre alta e, em seguida, erupção de placas. É contagiosa quatro dias antes e depois desta erupção.

Muitas vezes benigna pode, no entanto, causar complicações graves, respiratórias (infecções pulmonares) e neurológicas (encefalite), especialmente em pessoas vulneráveis.

As autoridades de saúde globais enfatizam a importância da vacina, individualmente, mas também coletivamente: uma alta cobertura de imunização (95% da população) protege pessoas que não podem ser vacinadas, especialmente porque seu sistema imunológico está enfraquecido.

No entanto, esta taxa de cobertura global (para a primeira dose de vacina) estagnou por vários anos em 85% de acordo com a OMS.

- Aumento nos EUA -

Paralelamente ao comunicado da OMS, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicaram nesta segunda-feira cifras que apontam que a doença continua se propagando nesse país, com 555 casos declarados.

Os dois principais focos de sarampo, detectado em 20 estados americanos, estão localizados no estado de Nova York.

Na cidade de Nova York, de 8,5 milhões de habitantes, foram declarados 285 casos, e em uma localidade do condado de Rockland, de 300.000 habitantes, 184 casos foram registrados.

No último dia 8 de abril foram detectados 465 casos desde o início do ano em todo o país, em comparação com os 372 casos declarados durante todo o ano anterior. Em 2016 foram detectadas apenas 86 pessoas afetadas nos Estados Unidos.

Para conter a epidemia, tanto o condado de Rockland como a prefeitura de Nova York declararam o estado de emergência sanitária e adotaram medidas extremas, como a vacinação obrigatória nos bairros mais afetados, sob pena de ações penais e multas.

Os bairros mais afetados são os de maioria ultraortodoxa judia.

A cidade de Nova York já havia lançado nos últimos meses uma forte campanha para promover a vacinação, enquanto as autoridades de Rockland haviam proibido a presença de menores não vacinados em lugares públicos.