Castro anuncia novo secretariado com políticos aliados e nomes técnicos no primeiro escalão

Após uma semana intensa de reuniões com aliados, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), fechou nesta sexta-feira seu secretariado para o novo mandato que começa no domingo. Serão 32 pastas, duas a menos que as atuais. O primeiro escalão do governo será composto por políticos aliados, como o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), e o deputado federal Hugo Leal (PSD), mas também por nomes técnicos, como a nova secretária de Educação, a professora Patrícia Reis, hoje superintendente de Gestão de Pessoas da pasta. Apesar de mudar pouco mais da metade de sua equipe, Castro manterá 13 dos atuais secretários, sobretudo, nas áreas econômica e de segurança pública, que ele avalia como "algo que deu certo" em seus primeiros anos à frente do Palácio Guanabara.

As últimas definições só ocorreram na tarde desta sexta-feira. Foi quando se bateu o martelo, por exemplo, que o deputado estadual Dr. Serginho (PL) retorna à pasta de Ciência e Tecnologia, que ele havia comandado até abril deste ano. Ainda do mesmo partido do governador, o PL, por ora o deputado estadual Rodrigo Bacellar continua à frente da Secretaria de Governo. No entanto, como ele é o favorito à sucessão da Presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), caso sua eleição se confirme no início da próxima legislatura, seu substituto será o deputado estadual Chico Machado (Solidariedade). Já Jair Bittencourt (PL), que chegou a ser um dos possíveis candidatos ao comando da Assembleia, será o titular da Secretaria de Agricultura.

Do PP, como era dado como certo nas últimas semanas, o deputado federal Doutor Luizinho retorna à Saúde, que ele comandou anteriormente entre 2016 e 2018. Segundo o governador, a interlocução do político com Brasília foi um dos fatores para a escolha.

— É muito importante a entrada do Doutor Luizinho, que é alguém que se relaciona muito bem com o governo federal, com a nova ministra Nísia (Trindade), e que já foi secretário de Saúde do Rio. Hoje, tem um componente político de relação para poder trazer mais para o Rio de Janeiro — afirma Castro.

Ainda do PP, Gustavo Tutuca será o secretário de Turismo. O União Brasil, por sua vez, com a segunda maior bancada da Assembleia, atrás apenas do PL, terá pastas importantes como a do Ambiente e Sustentabilidade (com o vice-governador Thiago Pampolha), a de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (com Vinícius Farah), a Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável (com o vereador Alexandre Isquierdo) e a de Habitação (com o deputado estadual Bruno Dauaire).

Outra legenda aliada, o MDB, terá a Secretaria de Esportes, com Rafael Picciani, e a de Transporte e Mobilidade Urbana, com Washington Reis. O ex-prefeito de Duque de Caxias comandará uma pasta turbinada com obras ligadas ao setor, como o projeto de Castro de levar um metrô leve à Baixada Fluminense. Um dos articuladores da campanha de Castro na região, Reis chegou a ser vice na chapa do governador na última corrida eleitoral. Mas o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o considerou inelegível, após ele ter sido condenado por crime ambiental.

No próximo governo, algumas secretarias também serão incorporadas a estruturas existentes, como a de Assistência à Vítima, enquanto outras serão criadas, como a Secretaria Especial da Mulher. Essa última pasta ficará a cargo da atual presidente do RioSolidário, Heloísa Aguiar, numa indicação da primeira-dama Analine Castro.

— Tem alguns compromissos de campanha que estou cumprindo, como a criação da Secretaria da Mulher. Já o Desenvolvimento Econômico será dividido em Indústria e Comércio de um lado, e Óleo, Gás, Energia e Indústria Naval do outro (comandada por Hugo Leal), para que eu possa ter mais foco nessas áreas — afirma o governador.

Nova secretária da Mulher, que assume em cerimônia no próximo dia 2, Heloísa Aguiar diz que sua gestão será construída a partir de três frentes de atuação, sendo a primeira o combate à violência contra a mulher, com mapeamento dos equipamentos do estado, de acordo com o mapa da violência do Dossiê Mulher e realização de encontros regionais da Rede Mulher. A segunda frente será voltada à projeção de autonomia econômica da mulher por meio do estímulo à capacitação profissional e fomento dos negócios próprios da mulher. Enquanto a terceira terá como foco a atenção integral com a criação de programas e projetos na área da saúde integral, por exemplo, e a promoção de ações afirmativas em diálogo com as áreas de educação, assistência social e Justiça.

— O fato de termos nessa gestão uma secretaria que vai colocar em prática as políticas públicas voltadas exclusivamente para a mulher já mostra a importância desse tema para o governo do Estado do Rio. A Secretaria da Mulher vai atuar de forma transversal, dialogando com outras secretarias e órgãos do governo. Sabemos que já há muitas ações voltadas para a proteção da mulher em andamento em secretarias como Desenvolvimento Social, Polícia Militar e Polícia Civil, mas nosso primeiro trabalho será o de fazer um grande levantamento. Assim, poderemos atuar de forma ainda mais eficaz para tirar os projetos do papel e fazer acontecer. É isso que as mulheres que moram e trabalham no estado do Rio esperam de nós — disse Heloísa.

Já para a Educação, Castro elogiou o trabalho do atual secretário, Alexandre Valle. Mas explicou o motivo de ter escolhido um nome técnico, de Patrícia Reis, para a pasta.

— Estou trazendo novas pessoas para pastas que eu acredito que possa oxigenar mais. Para a Educação, agora será uma professora da rede. Acho que o Alexandre Valle foi muito importante, até porque, naquele momento, eu precisava de um político lá. Era um momento de retomada, em que as escolas estavam fechadas, precisava de alguém que negociasse com o sindicato - diz Castro. - Patrícia já era da equipe do Alexandre Valle, era superintendente. Tem uma coisa de continuidade do trabalho bacana que o Alexandre fez. Sou muito grato a ele, mas agora (o trabalho) vai se comandando por uma pessoa da própria rede, uma professora, alguém, não sei se a palavra é essa, mas com essa legitimidade de professor — continuou.

Já dos atuais secretários, seguem no cargo, entre outros, Nicola Miccione (Casa Civil), Rodrigo Abel (Chefia de Gabinete), Leonardo Lobo (Fazenda), Maria Rosa Nebel (Administração Penitenciária), coronel Leandro Monteiro (Defesa Civil), Fernando Albuquerque (Polícia Civil) e coronel Luiz Henrique Marinho Pires (Polícia Militar). Uruan Cintra fica com Cidades e Infraestrutura. E Nelson Rocha permanece no Planejamento.

Casa Civil - Nicola Miccione

Governo - Rodrigo Bacellar (PL)

Chefia de Gabinete - Rodrigo Abel

Fazenda - Leonardo Lobo

Planejamento - Nelson Rocha

Saúde - Doutor Luizinho (PP)

Educação - Patrícia Reis

Ciência e Tecnologia - Dr. Serginho (PL)

Polícia Militar - Coronel Henrique Pires

Polícia Civil - Fernando Albuquerque

Defesa Civil e Bombeiros - Leonardo Monteiro

Administração Penitenciária - Maria Rosa Lo Duca Nebel

Gabinete de Segurança Institucional - Edu Guimarães

Transporte e Mobilidade Urbana - Washington Reis (MDB)

Infraestrutura e Cidades - Uruan Cintra

Ambiente e Sustentabilidade - Thiago Pampolha (União)

Agricultura - Jair Bittencourt (PL)

Turismo - Gustavo Tutuca (PP)

Desenvolvimento, Indústria e Comércio - Vinícius Farah (União)

Óleo, Gás, Energia e Indústria Naval - Hugo Leal (PSD)

Cultura - Danielle Barros (Solidariedade)

Esporte - Rafael Picciani (MDB)

Habitação - Bruno Dauaire (União)

Assistência Social - Rosângela Gomes (Republicanos)

Secretaria Especial de Mulheres - Heloísa Aguiar

Transformação Digital - Mauro Farias

Trabalho - Kelly Christian Silveira de Matos

Representação em Brasília - André Moura (União)

Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável - Alexandre Isquierdo (União)

Controladoria-Geral do Estado - Demétrio Farah

Rio Previdência - Eduardo Merlin

Procuradoria-Geral do Estado - Bruno Dubeaux

Subsecretaria de Comunicação - Igor Marques