Castro convida Lula para inaugurar restaurante popular no Rio; estado promete 16 unidades em 2023

Com o país amargando a volta ao mapa da fome na esteira de mais de 33 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave, a primeira visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Rio, depois de assumir seu terceiro mandato, pode ter como ponto alto a inauguração de uma unidade do programa Restaurante do Povo, destinada a oferecer refeições a preços simbólicos. Em entrevista à Globonews, o governador Cláudio Castro revelou que essa foi uma das duas opções sugeridas por ele ao presidente durante reunião privada, em Brasília, na manhã de terça-feira, um dia após o encontro de governadores no Palácio do Planalto para tratar dos atos antidemocráticos que terminaram com a invasão e depredação das sedes dos três poderes na capital federal, no domingo. A outra opção para a visita presidencial seria durante a reunião do consórcio de governadores do Sul e Sudeste, marcada para março.

De acordo com a secretaria estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, responsável pelos Restaurantes do Povo, as próximas unidades a serem inauguradas serão a da Central do Brasil, na capital, e a de Barra Mansa, na região Sul Fluminense. Não há previsão de data para inauguração dos restaurantes, mas as obras na Central são as mais adiantadas, aguardando apenas a conclusão dos trabalhos na área externa do prédio, a licitação para compra de equipamentos e a definição dos fornecedores.

Atualmente dez unidades do programa estão em funcionamento e servem 22.175 refeições por dia com preços que variam de R$ 1 a R$ 3, dependendo do restaurante. São elas: Duque de Caxias, com 4 mil refeições diárias, entre café da manhã e almoço; Petrópolis, 3,1 mil refeições; Campo Grande, 1,5 mil; Bangu, 1,4 mil; Bonsucesso, 800; Niterói, 2 mil; Volta Redonda, 1.875; Belford Roxo, 3 mil; Campos dos Goytacazes, 1,5 mil; e São Gonçalo, inaugurada em dezembro do ano passado, com 3 mil refeições.

A promessa é que até o fim de 2023 sejam inauguradas mais 16 unidades no estado, chegando a um total de 26 em funcionamento. Os novos restaurantes que fazem parte do projeto de expansão do programa ficarão em Irajá, Cidade de Deus, Rocinha, Santa Cruz, Complexo da Maré, Complexo do Alemão, Itaboraí, Queimados, Nilópolis, São João de Meriti, Magé, Nova Iguaçu, Itaperuna e Macaé, além de Barra Mansa e Central do Brasil.

— A iniciativa de voltar a investir em restaurantes que ofereçam comida a preços populares é boa, mas está atrasada. Desde 2018 estamos vivendo uma situação de insegurança alimentar grave e não houve movimentação do governo do estado. Não podemos esquecer que esse é um governo de continuidade — disse Kiko Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania, organização criada nos anos 1990 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, com objetivo de combater a fome no país.

Em 2022, a Ação da Cidadania lançou o Pacto pelos 15% com Fome, um apelo à luta contra a insegurança alimentar grave, que já atinge 33,1 milhões de brasileiros, o equivalente a 15% da população.

— Sem dúvida que é importante abrir novos restaurantes populares. O problema é que já vimos, em outros momentos, esses projetos serem abandonados ou desativados pouco tempo depois de sua implantação. O que a gente espera é que o movimento de retomar esse serviço seja amplo e contínuo, que ofereça comida barata e de qualidade para pessoas que estão vulneráveis do ponto de vista alimentar e também econômico — acrescentou Kiko Afonso.

A exemplo do governo do estado, a prefeitura do Rio também possui programas que oferecem refeições a preços simbólicos. O programa Prato Feito Carioca, por exemplo, serviu 1,28 milhão de refeições desde junho de 2022, quando foram abertas as duas primeiras Cozinhas Comunitárias Cariocas, segundo informou a secretaria municipal de Assistência Social, responsável pela iniciativa.

São 15 cozinhas em funcionamento. Elas estão localizadas na Mangueira, Andaraí, Catumbi, Realengo, Anchieta, Vila Kennedy, Tanque, Costa Barros, Guaratiba, Campo Grande, Bento Ribeiro, Bangu, Sepetiba, Acari e Beira Rio. No local, são entregues quentinhas gratuitamente para famílias com renda mensal per capita de até R$ 105. O acesso ao serviço é preferencial para pessoas encaminhadas pelos serviços públicos de assistência social, como CRAS, CREAS e Centro Pop, entre outros. Não é permitido o consumo no local.

O programa tem ainda a modalidade Cartão Refeição, que atende a trabalhadores informais na faixa da pobreza e com inscrição atualizada no Cadastro Único nos últimos 12 meses. Os beneficiários foram selecionados em duas fases, em maio de 2022. Eles recebem um cartão magnético recarregado mensalmente com R$ 242, que podem ser usados em restaurantes e similares.

A prefeitura do Rio mantém ainda três restaurantes populares localizados em Bangu, Campo Grande e Bonsucesso. De acordo com a Secretaria municipal de Trabalho e Renda, responsável pelas unidades, foram servidas, em 2022, um total de 1,11 milhão de refeições entre café da manhã e almoço.

— Atualmente o nosso principal atendimento ocorre nos restaurantes populares de Campo Grande e Bangu. O de Bonsucesso está passando por obras de manutenção — disse Alexandre Arraes, secretário municipal de Trabalho e Renda.