Castro intervém em prol de aliado, e favorito na disputa para o TCE-RJ retira candidatura

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), interveio na disputa para a candidatura à vaga que está aberta no Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ) desde a aposentadoria de Aloysio Neves, em fevereiro. Castro, que até então se mantinha isento e não se comprometia com nenhum dos postulantes às vésperas do período eleitoral, viu a sua base rachar após o lançamento de ao menos três candidaturas simultâneas ao posto. Após encontro com o governador nesta segunda-feira, Val Ceasa (Patriota), que despontava como favorito ao TCE-RJ, retirou a sua candidatura e anunciou apoio a Márcio Pacheco (PSC), que tinha acordo apalavrado com Castro para a indicação. Agora, o chefe do Executivo tenta demover a candidatura com Rosenverg Reis (MDB). Ele é irmão do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), provável vice de Castro na campanha à reeleição.

Para convencer Val Ceasa a sair da disputa, Castro precisou usar os cargos que o parlamentar controla: com postos na Ceasa e na estrutura da Secretaria Estadual de Agricultura, Val teve que escolher entre concorrer ao cargo de conselheiro ou continuar com influência no governo. A manutenção da candidatura de Rosenverg pode comprometer os arcos de alianças já formados às vésperas da eleição. Por isso, a parceria com a família deve ser reforçada em outra frente. Além de Washington Reis concorrer como vice, é possível que Rozenverg tenha o controle de várias pastas em um eventual próximo mandato.

A mobilização em torno de Márcio Pacheco também mostra um alinhamento entre Castro e o petista André Ceciliano, que preside a Assembleia Legislativa. Os dois tentam fazer valer um acordo firmado anos atrás: pré-candidato à presidência da Alerj em 2019, Pacheco abriu mão da disputa em troca de um empurrão para o TCE, deixando o caminho livre para Ceciliano. Castro, por sua vez, iniciou a sua carreira política como chefe de gabinete de Pacheco na Câmara Municipal do Rio e nunca escondeu de aliados que quer vê-lo no tribunal.

Constrangimento

O favorito dos dois, no entanto, era considerado o mais fraco em termos de votos no plenário da Alerj. Ele foi o primeiro parlamentar da Casa a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio no caso das “rachadinhas”, o que gera constrangimento entre os pares.

Não há registro recente de disputas no plenário da Alerj por indicações ao tribunal.

Enquanto a Alerj debate quem será o novo conselheiro será escolhido, a corte estadual, composta por sete conselheiros, segue incompleta desde 2017. Hoje funciona com cinco integrantes. Desses, apenas dois são titulares, nomeados após passarem por sabatina na Alerj. Três são conselheiros substitutos — servidores públicos concursados.

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