Castro nega erros no método de pagamento do Ceperj: “Nada foi descumprido da lei”

Fundação Ceperj está sendo investigada por folha de pagamento secreta no governo de Claudio Castro. (MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Fundação Ceperj está sendo investigada por folha de pagamento secreta no governo de Claudio Castro. (MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
  • Claudio Castro nega erros no método de pagamento da Fundação Ceperj;

  • Candidato à reeleição no RJ disse que não existem cargos secretos;

  • Ele admitiu falta de transparência e prometeu punições, se necessário.

Claudio Castro, candidato à reeleição no governo do Rio de Janeiro pelo PL, negou a existência de cargos secretos na Fundação Ceperj e disse que “nada foi descumprido da lei”. O atual governador do estado participou, na manhã desta quarta-feira (31), de sabatina promovida pelo GLOBO, Extra, Valor Econômico e CBN.

“O Ceperj paga há 30 anos na ‘boca do caixa’, não fui eu que criei isso”, apontou. Ao ser questionado sobre os valores, acrescentou. “A gente não está falando de valor, mas de metodologia de pagamento. A pessoa tem que dar identidade e CPF [para retirar o dinheiro], que cargo secreto é esse? Nada foi descumprido da lei”.

Investigada pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Fundação é acusada de criar uma folha de pagamento secreta. As primeiras denúncias apontavam contratações sem transparência, cujos cargos seriam usados para alocar apadrinhados de aliados do governo. Há relatos de funcionários fantasmas, pagamentos a funcionários públicos e a políticos que disputam as eleições neste ano.

Até julho de 2022, os valores empenhados pelo Ceperj foram aproximadamente 2.300% superiores aos de todo o ano de 2020. Sobre isso, Castro respondeu: “Porque antes [o estado] não tinha dinheiro. Agora tem dinheiro para fazer política social”. A Fundação tinha oito projetos sociais, como esporte e atendimento à população de rua no estado.

Durante a sabatina, o governador do Rio também falou sobre os questionamentos feitos pelo Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal (CSRRF), ligado ao Ministério da Economia, que apontou a possibilidade do caso Ceperj violar a lei.

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“O Regime questiona coisa todo dia. Esse fluxo de questionamento e resposta é um fluxo diário, não é porque houve o Ceperj. Eu nunca neguei, eu fui ao Ministério Público, criei uma comissão, todos que erraram serão punidos. A resposta para o Conselho é o seguinte: são nossos programas sociais e vamos continuar”, garantiu, acrescentando que lamenta os desvios envolvendo a Fundação. “A ideia era atender o povo e infelizmente algumas coisas sem escrúpulo utilizaram algo programado para ser uma coisa boa para fazer uma coisa ruim. Não dá para sujar todo um bom trabalho”, disse.

“Governo é governo, campanha é campanha”

Ao ser questionado se manterá o tesoureiro de sua campanha Aislan de Souza Coelho, que recebeu R$ 70 mil na folha de pagamento secreta na Uerj, como revelou matéria do UOL, Castro afirmou que sim. “Vou, ele está fazendo um trabalho totalmente diferente. É outra atividade, governo é governo e campanha é campanha. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

Após se irritar com a continuidade do tema na sabatina, o candidato admitiu que faltou transparência na metodologia de pagamento da Fundação e que pretende melhorar isso. “Estamos desenhando um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público. Eu procurei o MP pedindo ajuda para que pudéssemos fazer um modelo mais transparente”, prometeu, se mostrando confiante em sua popularidade. “Isso não vai interferir nada na eleição porque o povo está sentindo falta dos programas sociais. Se alguém errou, esse alguém está sendo investigado e a gente vai punir”.