Castro tenta demover mais candidaturas ao TCE-RJ e implode crise com possível vice

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) escolhe nesta quarta-feira (22) o indicado para o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), em uma votação inédita nas últimas décadas e que reflete um embate direto entre o governador Cláudio Castro (PL), que tenta a reeleição, e o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), cotado para ser seu vice. Quatro candidaturas serão retiradas, após acordo alinhavado por Castro, em parceria com o petista André Ceciliano, que preside a Casa. Apenas o deputado Rosenverg (MDB), irmão de Reis, e Márcio Pacheco (PSC), apadrinhado por Ceciliano e Castro, devem disputar votos.

A expectativa é de que Pacheco vença e seja posteriormente sabatinado, antes de ser empossado. Independentemente do resultado da votação, a crise entre Reis e Castro reabre a corrida pela vaga de vice na chapa do governo, o que pode detonar uma disputa entre vários partidos da aliança.

Nas contas, ampla margem

Antes mesmo da escolha em plenário, deputados faziam as contas, na noite de ontem, e calculavam uma vitória de Pacheco com mais de 45 votos. O vencedor precisa arregimentar ao menos 36, já que são 70 deputados na Alerj. A retirada de quatro candidaturas, entre elas a de Val Ceasa (Patriota), que era tido como favorito à disputa, após Castro ter intercedido, repercutiu na Alerj e fez com que vários gabinetes amanhecessem com cédulas falsas que traziam o rosto de Pacheco estampado. O parlamentar definiu o ato como uma “piada de mau gosto” e negou a compra de votos. Além de Val Ceasa, outros três nomes devem retirar formalmente os seus nomes do páreo: os deputados Alexandre Freitas (Podemos), Dr. Deodalto (PL) e o técnico do TCE Hans Springer.

“Não cumpriu a palavra”

Washington Reis, que criticou ontem a interferência de Castro e definiu a desistência de Val Ceasa como “algo muito estranho na política do Rio”, já aceitava a derrota do irmão, mas seguiu apontando a artilharia para o governo e para o presidente da Alerj:

— No quantitativo, nos votos, podemos perder deles (de Pacheco, apoiado pelo governo), mas creio que não ter cedido a isso tudo é uma vitória política. Todos estão vendo o que está acontecendo. Ceciliano, que me garantiu que tiraria a votação da pauta caso houvesse qualquer interferência, não cumpriu a palavra. Está claro qual é o alinhamento dele.

Ele diz ainda não ter definido se esta interferência de Castro pode significar a perda do cargo de vice. Ceciliano, por sua vez, não negou a vontade de ver Pacheco eleito:

— Estamos trabalhando para a construção de uma candidatura única, sem brigas e disputas no plenário. Sigo acreditando nisso.

Alheio à possível ruptura entre Castro e Reis gerada pelo seu nome, Pacheco já falava como vencedor.

— Já conseguimos muitos apoios. Vários deputados que estavam com outras candidaturas agora se mostram simpáticos ao meu nome. Quero que este processo seja guiado em paz.

Aval de Flávio Bolsonaro

Formalmente ao lado da família Reis na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) flexibilizou a orientação aos parlamentares do PL. Antes, havia a ordem para que votassem em Rosenverg. Depois da interferência de Castro, entretanto, Flávio fez chegar à bancada de 14 deputados a liberação para que votassem em quem desejassem — o que favorecerá Pacheco. Não há registros recentes de embates na Alerj por indicações ao TCE-RJ.

Pacheco é o mais próximo aliado de Castro na política, e seus gabinetes na Câmara dos Vereadores e na Alerj já empregaram no passado o próprio governador, além de alguns de seus parentes. Antes da intervenção do Palácio Guanabara, a avaliação na Alerj era de que ele seria o postulante com menos apoio na Casa.

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