Catadora diz que equipe de Lula pediu segredo sobre passagem de faixa: 'Não contei nem para o meu marido'

Responsável por colocar a faixa presidencial em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a catadora de materiais recicláveis Aline Sousa, que tem 33 anos, contou ter sido convidada para participar da cerimônia há dez dias. Desde então, ela manteve o segredo, e disse não ter contado nem mesmo para o próprio marido. Emocionada após ter integrado o grupo de pessoas que representaram de forma simbólica o povo brasileiro, entre eles uma criança negra e o líder indígena cacique Raoni, ela acredita que a escolha demonstra o compromisso do novo governo com a pauta da diversidade.

— Eu tinha acabado de chegar do serviço, há dez dias, quando recebi um contato da equipe do presidente Lula. Eu fiquei sem chão com o convite, agradeci a honra e precisei guardei segredo. Não contei nem para o meu marido. O Brasil é democrático, esta posse mostra que este país é do povo. Uma catadora de materiais recicláveis passou a faixa presidencial. E eu só posso agradecer a Deus — afirmou.

Catadora desde os 14 anos, Aline virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Ela é do Distrito Federal e integra a terceira geração de catadoras na família. Sua mãe e avó materna são catadoras da mesma cooperativa. Mãe de sete filhos (seis meninos e uma menina), Aline é presidente de uma rede de catadores. Hoje, ela está no seu terceiro mandato.

Ivan Baron também subiu a rampa. Ele tem paralisia cerebral provocada por uma meningite viral e se tornou influenciador digital, falando nas redes sobre pessoas com deficiência. Ivan, que é potiguar, contou ter sido convidado pela primeira-dama, Janja Silva, há uma semana. Para ele, a representatividade da sua participação também sela um compromisso do governo de Lula com a pauta capacitista.

— O povo brasileiro empossou um presidente. Isto mostra um governo que se coloca disposto a ser diverso. A roupa que usei diz muito sobre a representatividade que espero. A moda é política e inclusiva, por isso minha roupa traz frases de empoderamento e o recado "parem de nos excluir". Eu tive paralisia cerebral, é verdade, mas, apesar do nome, isto nunca me paralisou. É um combustível para realizar os meus sonhos — disse.

Além deles, outro que participou da cerimônia foi o pequeno Francisco, de 10 anos, morador de Itaquera, corintiano, que ficou em primeiro lugar em 2022 no campeonato de natação da Federação Aquática Paulista. Ele é morador de Itaquera, corintiano e ficou em primeiro lugar em 2022 no campeonato de natação da Federação Aquática Paulista. Ele conta ter sido convidado para fazer parte da cerimônia de posse, após ter enviado uma carta para o petista.

— Na carta, eu dizia que acreditava nele. Fui a Curitiba gritar pela liberdade do presidente Lula, fui vê-lo jogador futebol no MST e hoje participei da posse. A crianças acreditam muito no Lula — disse o menino.

Murilo de Quadros Jesus, de 28, professor de português e morador de Curitiba, se disse surpreso com o convite feito na véspera na posse.

— Acho que fui convidado por representar as pessoas que estudaram em escolas públicas e alcançar o ensino superior — opinou.

Metalúrgico do ABC e músico do movimento hip hop, Weslley Rodrigues Rocha, de 36 anos, foi escolhido por colegas da central sindical que integra. Ele disse representar os movimentos trabalhista e cultural.

— Sou metalúrgico desde os meus 18 anos. Vim representar a classe trabalhadora, sou de Diadema e represento todas essas pessoas. A minha perna tremeu ao chegar ao lado do presidente. Entendi o tamanho desta responsabilidade — confessou.

As outras pessoas que representaram o povo brasileiro na cerimônia foram ; Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que mora em Maringá (PR); e Flávio Pereira, de 50 anos, artesão que esteve na vigília em Curitiba durante a prisão de Lula. O cacique Raoni Metuktire é uma das principais lideranças indígenas do Brasil, reconhecido mundialmente, e hoje tem 90 anos.