Essenciais para a sociedade, catadores estão vulneráveis durante pandemia do coronavírus

Catadores estão vulneráveis durante a pandemia de coronavírus. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os catadores de materiais recicláveis são essenciais para o bom funcionamento da sociedade. Segundo dados do Cempre (Compromisso Empresarial pela Reciclagem), os profissionais são responsáveis por 90% do material reciclável que chega à indústria. Porém, os trabalhadores estão enfrentando dificuldades durante a pandemia do novo coronavírus.

Mesmo sabendo dos riscos, os trabalhadores não podem ficar sem sair de casa e ficam expostos à doença durante sua jornada do dia a dia. Além disso, muitos deles fazem parte do grupo de risco por serem idosos ou já terem doenças pré-existentes.

Pensando nisso, o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis), a Unicatadores (União Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis do Brasil) e a Ancat (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), iniciaram uma campanha que tem como objetivo beneficiar pelo menos 5 mil famílias.

Segundo o catador de material reciclável Roberto Rocha, presidente nacional da Ancat, a campanha tem como objetivo fazer com que os trabalhadores possam comprar alimentos para suas famílias e fazer girar a economia do País. Além disso, essa ajuda também faria com que eles tivessem como comprar produtos para sua proteção durante o trabalho. Quem quiser ajudar os catadores, pode fazer sua doação pelo site www.solidariedadeaoscatadores.com.br.

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“O certo seria o governo fornecer isso, mas, como não está sendo fornecido, a gente faz a campanha. A gente entende que a coleta seletiva é essencial”, afirma o presidente dizendo que a associação tem orientado os catadores a se protegerem durante a pandemia. “Hoje, a nossa orientação é usar luva e máscara”, diz.

Além disso, ele diz que é fundamental que seja feita a higienização do material coletado com água sanitária para que ele fique de quarentena de três a cinco dias na cooperativa. No entanto, Rocha alerta que essa limpeza precisa ser feita pelas pessoas que estão fazendo a separação dos materiais em suas casas também.

“Hoje, nós precisamos buscar caminhos inteligentes para assegurar a saúde de todos. As pessoas que separam o material em suas casas precisam lembrar que não é para colocar nenhum tipo de material que não seja reciclável junto com o que será dado para o catador. Então, material hospitalar, como luva e máscara, não devem ser colocados junto”, explica.

Rocha também afirma que os materiais que são recicláveis, mas que foram utilizados por pessoas que estão infectadas pelo coronavírus não devem ser reciclados mais. “Se as pessoas não têm essa doença, esse material deve ser separado normalmente, mas é importante que a pessoa que está separando o material lave as mãos”, diz.

Mesmo assim, o presidente diz que o material reciclável está sendo colocado de quarentena nas cooperativas para evitar a disseminação do Covid-19. Como o vírus é muito resistente, ele pode permanecer por muito tempo nos objetos. No plástico, por exemplo, ele pode ficar até cinco dias.