Cataris correm risco de perseguição se defenderem LGBTQIA+ durante a Copa do Mundo

Os cataris correm risco de serem perseguidos se defenderem direitos de minorias LGBTQIA+ durante a Copa do Mundo. O aviso foi dado pela Human Rights Watch, entidade de defesa dos direitos humanos.

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Carregar uma bandeira de arco-íris, cantar músicas em defesa das minorias ou fazer publicações pró-LGBTQIA+ podem ser evidências suficientes para o governo do Catar iniciar uma perseguição, de acordo com Rasha Younes, pesquisadora do órgão.

- À medida que o Catar avança em suas intenções de vigilância, incluindo dentro de estádios de futebol, a possibilidade de LGBT catarianos serem perseguidos por apoiar publicamente os direitos LGBT permanecerá por muito tempo depois que os torcedores se forem. Se uma pessoa republicar uma postagem sobre ações afirmativas, a perseguição pode seguir muito depois da Copa do Mundo, sem o acesso das autoridades de defesa de direitos humanos - afirmou Younes ao jornal inglês "The Guardian".

O temor sobre a segurança das minorias no Catar durante a Copa do Mundo têm crescido nos últimos dias. Na última semana, o militante Peter Tatchell afirmou ter sido preso no país por protestar pela liberdade sexual no país. Além disso, mensagens do governo do Reino Unido sugeriram que os LGBTQIA+ precisam "modificar suas atitudades e se comprometer em flexibilizá-las".

- Falei com autoridades cataris no passado sobre fãs gays de futebol que vão à Copa do Mundo e como os tratarão. Eles me disseram que todos estão seguros e podem se divertir. Eles têm algumas preocupações em termos de como a cultura e o país islâmicos vão lidar com isso. O que eu diria para os fãs de futebol +e para respeitarem o país-se. Com um pouco de flexibilização e comprometimento dos dois lados, a Copa do Mundo será segura e excitante - declarou James Cleverly, Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido.

Hoje, o presidente do Partido Conservador do Reino Unido, Nadim Zahawi, contradisse a mensagem, afirmando que "a polícia do Catar não é como a do Reino Unido, não devemos falar por eles e nem nós o toleraríamos".

- Eu diria que ninguém deve se preocupar com sua identidade ou sexualidade em nenhum momento. Claro que todos estão seguros para ir á Copa do Mundo. Estou muito orgulhoso do que temos feito no Reino Unido. Usamos toda e qualquer oportunidade para falar com o governo do Catar para compartilhar como as coisas funcionam por aqui. Eles têm uma jornada diferente na história e cultura, mas o futebol é a celebração da diversidade. Tenho certeza que os cataris compreendem isso.

Moradores do Catar encaram discriminação de sua identidade sexual no país. A homossexualidade é ilegal no Emirado, com punições de até sete anos de reclusão.

A Human Rights Watch publicou um relatório com documentos de ações arbitrárias da Polícia contra minorias, incluindo tortura e assédio sexual entre 2019 e 2022. O governo do Catar afirmou que as alegações "contém informações que são categorica e inequivocadamente falsas", sem dizer quais.

Younes defende que a atenção dada ao país neste momento por conta do futebol deve evidenciar o risco dos LGBTQIA+ antes, durante e depois da Copa do Mundo.

- Isso precisa ser falado sobre as polícias, intervenções concretas que a Fifa pode fazer, ou mesmo o Comitê Organizador da Copa do Mundo. É preciso oferecer proteção para os LGBTQIA+ que residem ou visitem o país durante a Copa do Mundo. Estou especialmente preocupada com os cataris, porque podem ser perseguidos após a Copa, sem a atenção midiática.

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Em comunicado ao The Guardian, o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo afirmou que "a Copa do Mundo será um torneio para todos, como as edições anteriores", e que "todos serão bem-vindos no Catar independente da raça, religião, gênero, nacionalidade ou orientação sexual".

- Somos uma sociedade relativamente conservadora. Afeto em público, por exemplo, não faz parte da nossa cultura. Acreditamos no respeito mútuo, e por isso, todos são bem-vindos. Esperamos que todos respeitem nossa cultura e tradições e serão respeitados da mesma maneira - afirma a nota.