Cataris fazem tudo pela Copa, mas deixam jogo inaugural ainda no intervalo

O dinheiro gasto foi tão grande - cerca de 200 milhões de dólares -, as críticas do ocidente têm sido tão duras, e ainda assim os cataris parecem ligar pouco para o que mais importa numa Copa do Mundo: o futebol. Na partida inaugural contra o Equador, o evento viveu uma experiência única. A da frieza da torcida anfitriã.

O que surpreende mais não é silêncio dos cataris nas arquibancadas do Al Bayt - o comportamento discreto, às vezes meio indiferente, é um traço cultural. Nem o fato de aparentemente serem minoria no estádio mesmo quando sua própria seleção está atuando. Isso seria surpresa se não fosse o fato de constituírem apenas 12% da população total de cerca de 2,6 milhões de pessoas.

Chamou a atenção o desapego pela partida. Parte da torcida presente ao Al Bayt, que já não estava lotada, foi para casa ainda no intervalo, quando o placar estava 2 a 0 para o Equador. Perto do fim, já estava bem vazio. O estádio começou com 67.372 presentes. Estranho porque o site oficial da competição diz que ele tem capacidade para 60 mil.

O futebol é o suprassumo de uma Copa, mas quando se fala no Mundial, o intercâmbio cultural também é um aspecto precioso. Nada no planeta mobiliza tantas pessoas de tantas regiões diferentes em um mesmo lugar. Mas não houve essa preocupação em viver esse lado do torneio na partida inaugural.

Cataris chegaram ao estádio dentro de suas SUVs gigantes, ficaram em grupos e um vídeo viralizou nas redes sociais, quando um deles se irritou com um equatoriano que fazia o sinal de "dinheiro" com os dedos na arquibancada, talvez uma referência ao gol anulado pelo VAR ainda aos três minutos de jogo.

Houve aspectos positivos também. A boa presença de mulheres cataris nos estádios, misturadas com o restante da torcida e não separadas dos demais. A logística para quem foi ao jogo com a massa funcionou também. Torcedores estrangeiros e trabalhadores locais foram à partida de metrô e ônibus. Tudo funcionando perfeitamente.

O Al Bayt é cercado por um grande parque, que estava movimentado, cheio de famílias e crianças. A grande maioria pessoas de outras nacionalidades. Restam no mímino duas partidas para os cataris, os das SUVs gigantes, mostrarem um pouco mais de interesse pelo jogo em si, ganhando ou perdendo.