Cautela na reabertura: USP retomará aulas presenciais só em 2021

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Prédio onde funciona a Reitoria da USP na Cidade Universitária

SÃO PAULO — O Governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira a previsão de retomada das aulas no estado em 8 de setembro, mas as principais universidades públicas do estado devem adotar calendário próprio e mais cauteloso para a retomada. Na última quinta-feira, 18, a USP aprovou novo calendário letivo que prevê aulas remotas no segundo semestre de 2020 e retomada de atividades presenciais apenas em 2021. Hoje, após o anúncio, a instituição confirmou que manterá a decisão.

As atividades presenciais serão repostas entre janeiro e março de 2021, segundo o calendário, e o primeiro semestre de 2021 deve começar, com aulas presenciais, em março do próximo ano.

Segundo a USP, 92% das cerca de 6 mil disciplinas teóricas oferecidas neste semestre continuaram as atividades em plataformas online desde o início da suspensão das aulas, em 17 de março.

Na Unesp e Unicamp, o segundo semestre também começará com aulas remotas. As instituições, que por regimento não estão diretamente atreladas às secretarias de educação, aprovaram medidas que garantem mais autonomia para que suas unidades adequem calendário às necessidades de cada curso.

— As universidades podem ser mais restritivas que a regra geral se optarem, dada sua autonomia. Ontem tivemos reunião com todos reitores e elas talvez tenham que aplicar protocolos mais restritivos por terem grande número de alunos e laboratórios que exigem contato entre os estudantes, por exemplo. Mas estamos super alinhados para uma retomada segura — afirmou Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado.

A Unicamp já divulgou que encerrará o primeiro semestre em 31 de agosto e retomará atividades online em setembro. A universidade ainda não detalhou como será sua retomada de aulas presenciais e se seguirá o calendário proposta pela Secretaria de Educação estadual hoje.

Retomada híbrida

A Unesp, que tem campus em 24 cidades paulistas, retomará as atividades de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo governo estadual no plano de retomada. A universidade também anunciou que priorizará a volta às atividades presenciais de calouros e formandos, para que iniciem ou completem a educação superior sem maiores prejuízos.

— Queremos fazer esse movimento com a maior segurança para nossos alunos e professores. É natural também que os planos de retomada seja diferentes para cada estadual, porque estão localizadas em centros urbanos bastante distintos — afirmou Sandro Valentim, reitor da Unesp e presidente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades do Estado de São Paulo).

Entre os parâmetros que serão observador pela UNESP para a retomada serão a taxa de ocupação de leitos de UTI menor que 60% nos Departamentos Regionais de Saúde das cidades de cada campus analisado, além de manutenção da taxa de casos por pelo menos 14 dias consecutivos. Também será avaliada a capacidade de cada unidade de identificar e isolar casos suspeitos.

Retorno em setembro

As aulas foram suspensas em toda rede estadual em 23 de março. O sistema educacional de São Paulo atende 13,3 milhões de alunos – cerca de 32% da população do estado.

No plano anunciado hoje pelo governo de João Doria (PSDB) e a Secretaria de Educação, 35% dos alunos retomarão as aulas com distanciamento de 1,5 metro em 8 de setembro se, até a data, o estado completar 28 dias com todos Departamentos Regionais de Saúde na fase amarela. Hoje, quase todo o estado está na fase anterior, laranja.

O plano vale para educação infantil, básica e superior das instituições públicas do estado e como recomendação para as privadas. A educação complementar, como cursos de inglês, seguirá as fases regionalizadas do Plano São Paulo. O protocolo prevê ainda uso obrigatório de máscaras nas instituições e sanitização de ambientes.

O anúncio do plano de retomada escolar é feito um dia depois de novo recorde de mortes (434) por Covid-19 em 24 horas no estado nesta terça-feira.

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