Merkel apoia prolongamento de controles em Schengen, mas não para sempre

Berlim, 19 mar (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, respaldou nesta segunda-feira a proposta do ministro de Interior, Horst Seehofer, de prolongar os controles de fronteira no Espaço Schengen, mas esclareceu que não será "para sempre".

"A chanceler e o ministro concordam com a necessidade de prolongar os controles por um tempo indeterminado e enquanto continuar existindo déficit na proteção das fronteiras externas", apontou o porta-voz do governo, Steffen Seibert.

Estes controles serão mantidos "de modo indefinido" e até que sejam conseguidas "melhorias substanciais" na proteção das fronteiras, prosseguiu a fonte governamental, para adiantar que isso não significa que será permanente.

O pronunciamento de Merkel é resposta a declarações de Seehofer no fim de semana, ao jornal "Welt am Sonntag", em que ele apostava na suspensão de Schengen por tempo indeterminado e na intensificação dos controles na fronteira da Alemanha.

O ministro de Merkel argumentava que a UE não está, até hoje, em condições de proteger devidamente as suas fronteiras externas e que isso também não seria possível num futuro próximo.

Seehofer é líder da União Social-Cristã (CSU), partido parceiro da União Democrata-cristã (CDU) da chanceler, e durante a legislatura anterior foi o principal crítico à gestão de Merkel na crise dos refugiados. A CSU tradicionalmente esteve à direita do CDU e Seehofer procurou, desde a sua chegada ao ministério, enfatizar essa posição.

Já na semana passada, com Merkel recém-empossada para o seu quarto mandato, Seehofer levantou a primeira divergência ao afirmar ao jornal "Bild" que o Islã não pertence à Alemanha. A chanceler contradisse imediatamente o seu ministro e ressaltou que o país está muito marcado pelo cristianismo, mas que na Alemanha também vivem 4 milhões de muçulmanos.

"Estes muçulmanos pertencem à Alemanha e a sua religião, o islã, pertence à Alemanha", disse ela para defender a convivência entre religiões. EFE