Cazaquistão diz que 164 foram mortos e 5 mil estão presos em meio a protestos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde do Cazaquistão informou neste domingo (9) que o saldo de mortos em meio à crise que se desenrola no país chega a 164 e que duas das vítimas são crianças.

A atualização representa um salto em relação aos números divulgadas durante a semana, quando foi anunciado que 26 manifestantes e 18 policiais haviam morrido. A maior parte das mortes ocorreu em Almati, a maior cidade do país, com cerca de 1,7 milhão de habitantes.

Cresceu, ainda, o número de pessoas detidas pelas forças de segurança. Ao menos 5.135 cidadãos foram presos no escopo de 125 investigações, de acordo com informações do Ministério do Interior cazaque.

O governo do presidente Kassim-Jomart Tokaiev alegou ter estabilizado a situação e acrescentou que as tropas da aliança militar de países ex-soviéticos liderada por Moscou estavam protegendo instalações energéticas estratégicas do país -o Cazaquistão é um produtor relevante de petróleo e gás.

"A situação foi estabilizada em todas as regiões do país", diz comunicado divulgado neste domingo. Funcionários da inteligência cazaque afirmam que ainda continuam ações de "limpeza" do que intitulam como uma operação de contraterrorismo. Durante o estopim dos projetos, Tokaiev havia ordenado que eles atirassem "para matar".

Durante a tradicional missa dominical na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco pediu que haja diálogo e justiça para encerrar a crise no país da Ásia Central, acrescentando que está triste com as notícias sobre as mortes ocorridas.

"Fiquei sabendo com tristeza que houve vítimas durante os protestos", disse o pontífice. "Rezo por eles e por suas famílias e espero que a harmonia social seja restaurada o mais rápido possível."

A onda de protestos no Cazaquistão teve início no dia 2 de janeiro e se intensificou na última quarta-feira (5), quando manifestantes atacaram prédios públicos e protestaram nas principais cidades do país, incluindo Almati e a capital, Nursultan. A residência oficial do autocrata Tokaiev chegou a ser invadida e, depois, foi desocupada.

A queixa inicial nas ruas era contra o preço dos combustíveis, mas a onda de protestos saiu de controle. Não há notícia ainda sobre quem são suas lideranças, o que aumenta especulações conspiratórias de que a convulsão seria impulsionada por agentes estrangeiros, incluindo o governo de Vladimir Putin.

O governo cazaque anunciou, neste sábado (8), a prisão do ex-chefe da inteligência do país, Karim Masimov, que também foi premiê por dois mandatos nas últimas duas décadas e era um aliado importante do ditador Nursultan Nazarbaiev, conhecido como o "pai da nação", que governou o país por quase 30 anos. Ele é acusado de traição.

A companhia aérea estatal russa Aeroflot anunciou que parou de vender passagens para voos com destino ao Cazaquistão programados para antes do dia 20 de janeiro e também de voos do Cazaquistão para a Rússia até o dia 21, segundo informações da agência de notícias Tass.

O ministro do Interior cazaque, Yerlan Turgumbayev, disse ao canal de notícias Khabar 24 que, durante os protestos, mais de 400 veículos foram danificados ou destruídos, incluindo 346 veículos da polícia. Manifestantes também teriam saqueado mais de 100 bancos e instalações comerciais, afirmou.

O presidente Tokaiev decretou a próxima segunda (10) como dia de luto nacional, "em memória das muitas vítimas que resultaram de ventos trágicos em várias regiões do país".

O líder autocrata substituiu o ditador Nursultan, governante mais longevo de qualquer ex-república soviética, como presidente do Cazaquistão em 2019. Filho de intelectuais proeminentes no país, ele estudou em Moscou em uma importante academia para diplomatas e trabalhou na embaixada soviética em Pequim. Também atuou como principal conselheiro de Nursultan até tornar-se seu herdeiro político.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos