Milhares de pessoas protestam em Gana contra acordo militar com EUA

Acra, 28 mar (EFE).- Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira pelas ruas de Acra, a capital de Gana, para protestarem contra o acordo de cooperação militar com os Estados Unidos que o parlamento ganês aprovou na semana passada com apoio do partido governante, apesar do boicote da oposição.

Sob o lema "Gana em primeiro lugar", o protesto foi convocado por um grupo chamado "Primeira Frente Patriótica de Gana" e contou com apoio de partidos opositores como o Congresso Nacional Democrático (NDC, sigla em inglês).

Os manifestantes denunciaram que o acordo mina a soberania do país africano, mas o governo do Novo Partido Patriótico (NPP) afirma que este não se diferencia de dois acordos similares assinados por Gana em 1998 e 2015.

O acordo contempla a cessão de instalações para uso exclusivo das tropas americanas e em conjunto com soldados ganeses, assim como a isenção de impostos para os equipamentos importados pelos americanos em Gana.

Além disso, os Estados Unidos poderão utilizar o espectro radiofônico ganês para operar seus sistemas de telecomunicações, e o pessoal civil e militar de seu exército poderá entrar e deslocar-se livremente pelo país, onde os veículos militares de qualquer tipo também terão liberdade de movimento.

Em troca, os EUA investirão aproximadamente US$ 20 milhões em treinamento militar e equipamentos para as forças armadas ganesas.

Os manifestantes mostraram cartazes com palavras de ordem como "Gana não está à venda", "Gana é melhor que US$ 20 milhões" e "Por que trair Gana por dinheiro?".

O ex-presidente ganês John Mahama, do NDC, declarou no Twitter seu apoio ao protesto de "oposição ao acordo militar Gana/EUA".

A marcha também foi impulsionada pela detenção ontem do vice-secretário-geral do NDC, Koku Anyidoho, por dizer a uma rádio local, segundo a polícia, que o atual governo do presidente Nana Akufo-Addo seria derrubado por um golpe civil.

A Embaixada dos Estados Unidos em Acra pediu "precaução" a seus cidadãos diante dos protestos e que mantenham "um perfil baixo". EFE