Ministro de Relações Exteriores russo critica parcialidade no caso Skripal

Astana, 16 mar (EFE).- O ministro russo de Relações Exteriores, Serguey Lavrov, criticou nesta sexta-feira, na capital cazaque, a cobertura por parte dos meios de comunicação ocidentais do caso do envenenamento no Reino Unido do ex-espião Serguei Skripal e de sua filha Yulia.

"Hoje vi as notícias da BBC e da CNN. Explicam de maneira muito simples. Dizem que a Grã-Bretanha recebeu o apoio e a solidariedade da França, da Alemanha e dos Estados Unidos", disse Lavrov após uma reunião sobre a paz na Síria com seus colegas do Irã e da Turquia, Mohamad Yavad Zarif e Mevlüt Çavusoglu, respectivamente.

"Mas não explicam nada sobre o fato de que está sendo realizada uma investigação que ainda não foi completada, que os resultados da investigação não foram transmitidos a nenhum tribunal, incluindo o britânico, e que a Rússia apresentou de maneira absolutamente natural solicitações para apresentar provas contra as acusações apresentadas", sustentou o ministro russo.

Em uma declaração conjunta emitida ontem, a primeira-ministra britânica, Theresa May; os presidentes americano, Donald Trump, e francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, condenaram o ataque com um agente nervoso militar fabricado na Rússia.

Os líderes acrescentaram que "compartilham" a análise das autoridades britânicas de que é altamente provável que a Rússia tenha estado por trás do ataque contra o ex-espião e sua filha, uma ação que "supõe um ataque à soberania do Reino Unido, em clara violação da Convenção para a Proibição de Armas Químicas".

"Certamente, parece que os russos estão por trás disso. É algo que jamais deveria acontecer e levamos muito a sério, como acredito que fazem muitos outros", declarou ontem Trump à imprensa ao início de sua reunião com o premiê irlandês, Leo Varadkar.

Londres identificou a substância utilizada em Salisbury como um agente nervoso do tipo "Novichok", de fabricação russa.

O Governo britânico comunicou na quarta-feira sua decisão de expulsar 23 diplomatas russos em represália pelo ataque na localidade de Salisbury e deu uma semana para que estes funcionários abandonem o Reino Unido. EFE